Com tempo têm sido publicados mais estudos sobre a durabilidade das baterias usadas em automóveis elétricos e este mais recente da Geotab sobre se o uso de cargas rápidas degrada prematuramente as baterias de tração tem um twist: segundo este estudo o uso regular da carga ultrarrápida (igual ou superior a 100 kW) duplica a velocidade da degradação da bateria.
Dito isto parece mau, mas há contexto: a perda de capacidade passa de 1,5% para 3%. Sim duplica...mas continua a ser um valor muito baixo. Isto significa que usando regularmente a carga ultrarrápida após 8 anos a bateria do automóvel ainda terá quase 79% da capacidade inicial. Mesmo assim não abuse deste tipo de cargas.
Para este estudo a Geotab avaliou 21 modelos diferentes num total de 22.700 automóveis e uma coisa é clara - as baterias modernas têm-se aguentado melhor que o esperado: em 2024 a taxa média de degradação observada era de 1,8% por ano passando para 2,3% por ano em 2025. Este aumento não se deve a problemas de qualidade da bateria, mas a uma mudança na utilização com cada vez mais uso do carregamento rápido de corrente contínua (DC). A perda de capacidade é gradual e natural, com a taxa de degradação a depender muito das condições de uso. Mas observou uma constante: os veículos que recorrem massivamente ao carregamento DC a cima dos 100 kW vêm a capacidade das baterias cair mais depressa.
Veículos que utilizam carregamento rápido (acima dos 100 kW) em menos de 12% das cargas totais apresentam uma degradação média anual de 1,5%. Acima de 12% das cargas em DC rápida a degradação sobe para quase 2,5% ao ano. Nos casos mais extremos a perda pode chegar a 3,0% por ano, quase o dobro da de um veículo carregado principalmente em corrente alternada (AC) ou contínua (DC) de baixa potência.
Porque este salto nos 100 kW? A partir deste valor a recarga é eletroquimicamente mais agressiva favorecendo o "lithium plating" que reduz a capacidade útil da bateria. Este fenômeno afeta ambas as baterias LFP (Lítio-Ferro-Fosfato) e NMC (Níquel, Manganês e Cobalto), mas as LFP resistem melhor a este stress.
Outras conclusões e fatores
- Temperatura: a potência não é o único parâmetro decisivo, a temperatura também afeta a longevidade. Em zonas onde a temperatura média ultrapassa os 25°C a degradação da bateria aumenta cerca de 0,4% ao ano relativamente a zonas de clima temperado. Por outro lado, carregamento rápido em temperaturas abaixo de zero pode causar danos estruturais permanentes sendo critico o uso de sistemas de pré-condicionamento térmico.
- Tipo de veiculo: o tipo de veículo também é importante. Os veículos comerciais ligeiros, carrinhas e veículos multiuso que são submetidos a ciclos intensivos e recargas maiores apresentam uma degradação média anual de 2,7%. Os automóveis particulares ligeiros apresentam um valor aproximadamente de 2%.
- Frequência de uso: os veículos usados mais frequentemente apresentam uma taxa de degradação aproximadamente 0,8% mais rápida que os menos frequentemente utilizados. A diferença é mínima.
- Quebra um mito: carregar a bateria ocasionalmente até 100% não causa problemas. Utilizar uma ampla faixa de carregamento não tem um impacto significativo, a menos que o veículo permaneça por longos períodos com carga abaixo de 20% ou acima dos 80%. É a repetição dos extremos que acelera o envelhecimento.
Em conclusão e resumindo, segundo este estudo após 8 anos uma bateria mantém em média 81,6% da capacidade inicial, 78% para os que mais usam as carga ultrrapidas. Acima dos 70% a 75% SOH das garantias dos construtores.























