O mau, o feio e o estranho do mundo automóvel[1983 Glenfrome Facet]

|2 comentários
O artigo "Os automóveis mais importantes de sempre" tem corrido muito bem, já conseguimos listar 80 máquinas (e temos muitas outras para adicionar) e o próprio artigo já tem rank 2 no PageRank do Google. Mas temos recebido muitos comentários e emails a sugerir que devíamos fazer um artigo semelhante mas dedicado aos piores automóveis de sempre. Ora resolvemos fazer isso e um pouco mais...

Neste artigo vamos não só abordar os piores automóveis de sempre (aqueles que nos lembrar-nos e os que os leitores sugerirem), mas como já tanta gente escreveu sobre eles e provavelmente vamos repetir alguns, resolvemos incluir também aqueles que, não sendo necessariamente maus, foram únicos ou estranhos - aqueles que nunca ouvimos falar ou que nos fazem dizer "Mas que raio!?" E já agora, porque ficar apenas pelos automóveis em si? Há muita coisa estranha no reino do Automóvel...


1896 Lâmpadas de acetileno
Antes de surgir os faróis eléctricos nos automóveis, circular à noite era perigoso - a iluminação da época como velas ou lâmpadas de óleo era de fraca potência e apenas as cidades tinham iluminação de rua (na altura a gás). Daí que surgiu a lâmpada de acetileno - basicamente água pingava em Carbeto de Cálcio (CaC2) e isso gerava gás de acetileno (C2H2) que era depois queimado. O fluxo da água ditava a quantidade de gás produzido e logo a intensidade da chama.
Eram bastante complicadas de manejar e até perigosas - dai que desapareceram rapidamente quando as lâmpadas eléctricas surgiram. Curiosidade - se a água acabasse, urina também funcionava...


1933 Dymaxion
Se nunca ouviu falar do Dymaxion é porque nunca chegou a ser. O senhor Buckminster Fuller era um pensador bastante original e nos anos 30 criou o que achava seria a habitação do futuro, uma espécie de casa pré-fabricado a que deu o nome de Dymaxion. E como a casa do futuro precisa do automóvel do futuro nasceu o automóvel Dymaxion.
E apesar dos desenhos originais indicarem um automóvel voador, na realidade tinha 3 rodas (2 à frente 1 atrás), mas a ideia era que apartir de uma certa velocidade a traseira levantava e ficava apenas equilibrado nas rodas dianteiras! E para ser ainda mais "revolucionário" o motor estava atrás (como um 911) mas a tração era dianteira!

Não foi portanto grande surpresa quando o único protótipo foi destruído num acidente fatal durante a exposição mundial de Chicago em 1933. Dymaxion - estranho, peculiar e simplesmente mau!


1950 Thermador Swamp Cooler
Antes da invenção do ar condicionado automóvel ter arrancado com toda a discussão do efeito de estufa, os americanos criaram isto: o Thermador Swamp Cooler. Basicamente era fixado no exterior da janela e canalizava o ar para umas almofadas humedecidas que arrefeciam o ar antes de o atirar para dentro do automóvel.
Não era sem duvida muito eficaz mas mesmo assim era capaz de arrefecer a temperatura ambiente em 10 a 15ºC relativamente à temperatura exterior.


1950 Kerbfinders
Alguma vez olharam para o Xerife do filme Cars e perguntaram-se o que eram aquelas "antenas" viradas para baixo? São um estranho e popular acessório automóvel chamado Kerbfinders. E tal como o nome indica "Kerb - Passeio" e "Finders - encontra" ajudava os condutores a não embaterem com os pneus de encontro os passeios e danificá-los.
Não esquecer que nesta altura os pneus não eram tão resistentes como os actuais (nem eram radiais) e não havia nenhuma inspecção, regra ou lei que indicasse a necessidade de mudar os pneus - ou seja era comum o pessoal andar com os pneus até eles rebentarem. Dai que esta vareta era instalada e ao raspar no passeio e produzia uma vibração audível dentro do automóvel e avisava o condutor.


1950's Dados felpudos
Sinceramente não consegui encontrar uma origem para este "adereço" excepto que surgiu nos anos 50 nos EUA, mas até em Portugal é popular actualmente: fui a uma loja da acessórios automóveis e a senhora assegurou-me que é daquelas coisas que se vendem bem. Supostamente devia dar sorte pendura-los no espelho retrovisor...a sério?!
 


1955 Damolnar Bisiluro
Se, tal como eu achava o DeltaWing revolucionário, então podíamos estar um pouco enganados porque antes do Deltawing já houve quem explora-se o mesmo principio - este é o Damolnar Bisiluro.

Imaginado pelo arquitecto Carlo Mollino e construído pelo italiano Enrico Nardi recebeu o nome bisiluro que em Italiano significava duplo torpedo. Tal como um Catamarã, o Bisiluro tinha 2 cascos em forma de charuto. O condutor sentava-se à direita e à esquerda ficava o motor, caixa de velocidades e o tanque de combustível. No meio ficava o radiador e travão aerodinâmico.


Era motorizado por um motor de 4 cilindros de 735cc de motas de competição da Moto Guzzi e debitava 65 cavalos às 6.500 rpm. Apesar do pequeno motor era capaz de atingir 220 km\h. O objectivo era participar nas 24 horas de Le Mans de 1955 na classe de 750 centímetros cúbicos, infelizmente após 5 voltas foi ultrapassado por um Jaguar que ia tão depressa que a deslocação de ar foi suficiente para atirar o Bisiluro para fora da corrida.


1957 Aurora
Algo tão peculiar que até nem eu conhecia - o leitor Tiago Castro encontrou o único automóvel de criação abençoada, porque o Aurora é a criação de um padre católico. O padre Alfred Juliano queria ajudar a reduzir as mortes na estrada, quer peões quer passageiros, e com o apoio da sua paroquia (sim, leram bem) ao fim de 4 anos de trabalho apresentou o Aurora.

Apesar de actualmente soarem normais, na altura era tecnologia de ponta - cintos de segurança, barras de protecção nas portas, coluna de direcção colapsavel, tablier forrado com material moussado para não magoar os passageiros e aquele tejadilho panorâmico escondia uma célula de protecção como nos automóveis de competição.
No exterior todos aqueles estranhos detalhes destinavam-se a minimizar ferimentos em infelizes peões. E não era apenas uma maquete, funcionava mesmo - tinha um V8 de 5,3 litros de 165 cavalos e chegou a ser colocado à venda. Infelizmente, nenhuma unidade foi vendida e apenas existe (ainda actualmente) o protótipo.


1960's Capot Preto Mate
No desporto todas as vantagens, mesmo as mais pequenas, são importantes - no final do dia pode ser a diferença entre a vitoria e a derrota. O mesmo se aplica no desporto automóvel - nos rallies-maratona dos anos 60 tornou-se pratica comum pintar os capots de preto mate: a ideia era melhorar o conforto (logo potencial) do condutor eliminando o reflexo da luz do sol no capot.
Não demorou até que muitos "corredores" começarem a pintar os capots de preto e até o Ford Capri chegou a ter como opção o capot pintado de preto mate! Provavelmente uma das formas mais baratas e acessíveis de "tunar" um automóvel  Curiosamente, mais tarde passaram a pintar o tejadilho de preto...por razões desconhecidas.


1962 Ford Mustang I
Se nunca ouviram falar deste Mustang é porque nunca chegou a ser produzido - a Ford pediu ao seus engenheiros que criassem um desportivo e este foi o resultado. Era um roadster com um pequeno para-brisa com o motor atrás dos passageiros. Usava o mesmo motor V4 do Taunus 12M mas virado ao contrário e aquelas entradas de ar eram para o arrefecer.
Os bancos eram fixos à estrutura e eram os pedais e o volante que eram reguláveis. A carroçaria era em alumínio com os faróis retracteis e os seus construtores deram-lhe o nome do avião P51.
Mas apesar de todos os engenheiros adorarem o conceito eis que entra em cena Lee Iacocca que colocou um ponto final nesses sonhos porque nunca seria um automóvel de volume. Em 1963 a Ford apresenta o concept Mustang II baseado no Ford Falcon (que aproveitou apenas o nome e as entradas de ar do Mustang I) veio anunciar o que seria um dos maiores sucessos automóveis.
O concept Mustang I - peculiar mas espectacular.


1964 Caravana SAABO
Se esta a olhar para o Saab vermelho, esta a olhar para o Saab errado - quase todos nós já miramos a lista de opcionais de um ou mais modelos - seja no acto da compra ou no acto do sonho. Mas aposto que por mais catálogos de opcionais que tenham visto nunca encontraram uma marca automóvel a oferecer uma caravana como opcional - mas houve, a Saab com a Saabo.

Foi apresentada em 1964 e esteve a venda apenas durante 4 anos com pouco mais de 500 exemplares a serem vendidos. Não era propriamente bonita especialmente com aquela janela dianteira e traseira baixa (mas que servia para se poder usar o espelho retrovisor do automóvel), mas tudo funcionava a GPL (eletricidade, aquecimento, etc), era robusta, à prova do clima Sueco e mesmo sendo compacta era capaz de deitar 4 adultos. Um acessório curioso e único...Pena.


1972 Aston Martin Sotheby Special
Se nunca ouviu falar deste estranho Aston Martin não se preocupe porque apenas foram feitos 2 - a tabaqueira Wills achou boa ideia criar um Aston Martin sobre medida para promover uma nova marca de cigarros chamada Sotheby. Contrataram a Ogle Design para, com base num Aston Martin DBS, criar algo único, especial...e inspirado num maço de tabaco!



Desenhado por Tom Karen mantinha o V8 de 5,3 litros do DBS e tinha toda a cobertura em vidro com película dourada para reflectir o calor e acima de tudo aquela traseira com 2 filas de luzes traseiras que funcionavam em sequência: 4 eram piscas, 2 luzes de marcha-atrás, 2 reflectores e 10 stop's! Mais anos 70 é impossível...

Apresentado pela primeira vez no Salão de Montreal de 1972, era azul escuro com linhas douradas tal como os cigarros que publicitava. E houve uma senhora inglesa que gostou tanto deste Aston Martin que encomendou um para ela em Vermelho Claret. Ambos ainda existem.


1972 Zagato ZELE 1000
O nome Zagato sempre foi o sinónimo para performance, beleza, exuberância em 4 rodas. Daí que quando em 1972 "isto" apareceu no expositor da Zagato do Salão de Genebra de 1972 deixou tudo e todos boquiabertos!
Este era o Zele 1000 - tinha apenas 1,95 metros e apenas 40 km\h de velocidade máxima e o "1000" era potencia em Watts do motor eléctrico alimentado por 4 baterias. É que nos anos 70 a Zagato estava em sarilhos e precisava de algo que vendesse. Curiosamente foi um tiro na "mouche" porque a meio da década de 70 a crise petrolifera do Médio Oriente estava no auge e automóveis alternativos estavam na moda. A Zagato conseguiu despachar o ZELE 1000 para os 4 cantos do mundo e em 1981 chegou a oferecer uma versão com 4 lugares. Mas nos anos 90 o trabalho de carroçaria voltou a bombar, e já a pensar no Alfa Romeo SZ, Zagato em 1991 deixou morrer o ZELE depois de mais de 3000 unidades vendidas.


1975 Triumph TR7
O Triumph TR7 era próximo membro da família TR2 ao TR6, excepto que falhou completamente ao ser tudo o que os anteriores não eram - desejáveis.


O design em cunha (do mesmo responsável pelo Austin Allegro) foi muito mal recebido, mas escondia o primeiro TR com chassis monocoque (e não o tradicional chassis separado) o que o tornava confortável, mas o motor do Dolomite associado a uma caixa de 4 velocidades era tudo menos "másculo" e apenas estava disponível em coupe - tudo o que os clientes não queriam.


Mas apesar da vantagem de não ter grande concorrência (na altura só havia o MGB e o Fiat X1/9), a British Leyland demorou eternidades a corrigir os problemas: demorou 1 ano a introduzir a caixa de 5 velocidades, 3 anos para haver uma versão descapotável e 4 anos mais tarde é que surge a versão com o V8 Rover. Só que enquanto a British Leyland demorava o seu tempo, surgiu algo chamado Golf GTI e mais ninguém quis um TR. O TR7 foi o último - pena acabar assim.


1975 Land Rover 101 Forward Control
Este é um raro mas desejado veiculo entre os doentes da Land Rover - especialmente porque nunca foi vendido ao público, desenhado de raiz para o exercito britânico não se podia ser mais puro e duro. Desenhado por forma ao condutor estar em cima do eixo dianteiro era possível desmontá-lo à base mecânica para assim permitir o transporte até por helicópteros ligeiros, ao invés de mostradores de níveis de fluidos do V8 Rover os próprios reservatórios estavam montados no tablier para dispensar manómetros.

Uma daquelas estranhas e peculiares máquinas, que depois de vendidas pelo exercito inglês ainda andam por aí...


1975 Lepoix Ding
Louis Lepoix foi um designer industrial que desenhou inúmeros tipos de produtos de máquinas de escrever a parquímetros. Mas em 1975 resolveu apresentar no salão de frankfurt a sua estranha visão ao futuro automóvel. A sua empresa Form Technic International levou 2 carros eléctricos, o Lepoix Shopi que era apenas uma especie de carro de golf para ir as compras mas o Ding roubou toda a atenção...porque será?
É eléctrico e tem 3 rodas e 3 lugares mas num arranjo nunca visto - 2 lugares lado-a-lado à frente mas é conduzido pela 3ª pessoa que vai atrás em pé e o conduz por um joystick a uma velocidade estonteante de 30km\h. Apesar de ter anunciado vendas apartir de 1977 nunca chegou a ser comercializado servindo apenas de ponto de partida para a paixão ecológica de LePoix - o Lepoix Ding, muito estranho e muito raro...graças a Deus.


1977 Panther Six
Se há algo estranho no mundo automóvel, seria um automóvel (camiões não contam) com 6 rodas - e se sempre sonhou em ter um saiba que pode realizar esse sonho, basta encontrar um dos 2 Panther Six existentes.
Criado por Robert Jankel e apresentado em 1977, o Panther Six foi o primeiro automóvel de estrada de 6 rodas do mundo trazendo para a estrada o mesmo esquema do Tyrrel P34. Supostamente seria também capaz de atingir a velocidade máxima de 200 mph ou 320 km\h graças ao motor Cadillac V8 de 8,2 litros em posição central dopado com 2 turbos que debitava 600 cavalos.

Infelizmente, tal como o Tyrrell P34, foram os pneus que que condenaram este projeto - a Pirelli a ultima da hora mudou de ideias quanto a fornecer o conjunto de pneus de 13 e 16 polegadas necessários para o Panther Six. Pena...


1980 Yugo 45
O nosso leitor Tiago Castro deixou no nosso email uma bela dica para este artigo, mas além de uma dica para um dos piores automóveis de sempre, também encontrou a única coisa positiva da guerra nos Balcãs. Mas comece-mos pelos Yugo. A Zastava produzia automóveis desde 1954, mas curiosamente nunca criaram um automóvel de raiz - usavam Fiats. O Yugo 45, que era baseado no Fiat 127, são importantes porque foi com ele que a Zastava partiu para os mercados estrangeiros como uma marca acessível - soa familiar, não soa?

Os Yugo 45 foram vendidos na Europa e até nos EUA como automóveis baratos e fiáveis - chegou a ter uma versão descapotável. E apesar de baseados num Fiat que foi lançado em 1971 ainda os vendiam no ano 2000 - e vendiam-se muitos. Mas a verdade é que apesar das supostas melhorias ao longo dos anos (houveram várias versões: o 45, 55, etc) a verdade é que por baixo sempre foi um velho 127. Um amigo meu teve um e ele dizia-me que todos os dias antes de arrancar olhava por debaixo do carro para ver que peça tinha caído durante a noite - uma vez travou a fundo e uma roda saltou fora!

Sim, era muito barato mas era montado como tal - e houveram 2 fatores que o enterraram sem que a moça acima tenha ajudado. Primeiro, durante os anos 80 nos EUA o governo queria obrigar os construtores a fazer automóveis mais pequenos algo que não queriam claro. E para provar o quanto perigosos eram os automóveis mais pequenos os construtores resolveram fazer e filmar um crash-test entre 2 automóveis: uma típica banheira americana frente-a-frente com um pobre Yugo 45. O filme passou em todas as televisões americanas e nenhum americano o mais quis ver. O segundo fator que o enterrou completamente, e talvez a única coisa boa que saiu da guerra dos Balcãs, a NATO bombardeou a fábrica quando se soube que os Sérvios também fabricavam armas lá - pela mesma razão também bombardearam a fábrica das caravanas Caravelair já agora, assegurando que para ambos já não há peças. Se vir um, aprecie porque já não há muitos...felizmente.


1981 Maserati Biturbo
Devido a falência da Citroen e Peugeot (que acabaram vendidas à Michelin), a marca francesa vê-se obrigada a vender a Maserati (que em parte foi responsável pela falência do construtor francês) a um certo Alessandro De Tomaso. Sim, esse De Tomaso que prometia recuperar a marca ao esplendor de outros tempos. Mas só 5 anos depois é que foi apresentado o Biturbo.
Tinha um V6 de 2 litros assistido por 2 turbos (daí o nome Biturbo), um interior de luxo da Missioni e mais tarde até uma versão descapotavel. Os amantes da performance achavam-no aborrecido e até imprevisível, mas os amantes do chic adoravam-no e começou por ser um sucesso de vendas. Isto até os problemas eléctricos e de fiabilidade começaram a aparecer - para terem uma ideia dos padrões de qualidade, era comum os motores partirem assim que os modelos deixassem a linha de montagem. Infelizmente todos estes problemas acabaram por ditar a pouca popularidade do Biturbo - não conquistou os fãs da marca e afastou os restantes. O Maserati Biturbo, o automóvel que poderia e devia ter salvado a Maserati como um construtor independente acaba por ser um dos piores de sempre.


1982 Morris Ital
Eu ia implicar com o Morris Marina, já que passei bastante tempo da minha juventude na traseira de um Morris Sherpa no jardim de infância e uma Marina carrinha de um vizinho quando andava na primária. Mas a verdade é que todos já implicaram com ele (incluindo o tri maravilha do Top Gear, mas acho que o Morris Ital merece-o ainda mais. O Morris Marina surgiu em 1971 e sempre foi muito criticado (péssima direcção, pobre performance, acabamentos e ter sido feito com peças de modelos mais antigos), e em 1982 o Marina estava em sarilhos. Daí que para lhe dar mais uns anos de vida deram o Marina à Ital Design para alguma magia - estamos a falar de Giorgetto Giugiaro que criou o Fiat Uno, o VW Golf e outros. Para comemorar o feito a Morris até mudou o nome de Marina para Ital em honra a Giugiaro. Afinal, o que é que podia correr mal?

Bem, digamos que naveguei o site da Ital Design e já li a bibliografia de Giugiaro e o Ital não aparece - apagaram-no dos registos. A Ital Design quer apagar qualquer relação com este modelo da mesma forma que alguns politicos portugueses desejam apagar o facto que estiveram associados a Sócrates. Infelizmente, o Ital é tambem a pedra tumular da Morris - foi o ultimo modelo desta marca.


1983 Glenfrome Facet
Com os X6 e X4 (e em breve o X2) a BMW tem-se gabado de ter o "coupé todo-terreno", mas pode ter-se enganado porque creio que este Glenfrome Facet merece esse título. Sim, é esse o nome.


A Glenfrome Engineering dedicava-se a transformar Range Rover's e este Facet é uma dessas transformações. Desenhado de raiz a pensar nos ricos clientes do Médio Oriente, usava mecanica do Range Rover V8, tinha um chassis tubular e tirando as portas e o encaixe os diversos paneis eram de fibra de vidro.


Era capaz de transportar 4 passageiros em luxo total, tinha guinchos elecgtricos escondidos atrás das placas de matricula, o capot e tampa da mala funcionavam electricamente, e sim, tinha um tejadilho tipo Targa que se escondia debaixo do capot.


Mas isto era o pacote básico e a Glenfrome faria o que o cliente desejar - infelizmente a Glenfrome faliu tendo apenas produzido cerca de 30 unidades deste todo-terreno desportivo.


1984 Lada Samara
A Lada fornece automóveis há muitos anos, mas sempre foram versões de modelos já existentes como o Lada 1200/1500 que eram Fiat's 124 e o Niva que (ainda) é baseado no Fiat 127 - mas eis que nos anos 80 a Lada resolve avançar e fazer o seu primeiro automóvel de raiz. Mas como nunca fizeram tal coisa resolveram contratar a Porsche para criar um novo chassis, motor, transmissão...tudo. E tendo em conta que estamos a olhar para um automóvel de 1984 até parece dentro dos padrões da altura.

Mas a verdade é que a condução, equipamento, basicamente tudo era desagradável e a qualidade de fabricação era tão má que os Ladas destinados ao mercado ocidental tinham que passar por "centros de processamento" como Poch em França ou Bridlington em Inglaterra para serem "aceitáveis" no mercado Europeu - as vezes era necessário pintar de novo. E novamente recordo, "aceitáveis" nos anos 80 ...


1984 Alfa Romeo Arna
No inicio dos anos 80 a Alfa Romeo tinha falhado como construtor independente e estava sobre controlo do governo italiano, que não estava muito interessado em dar os meios e dinheiro necessário para substituir o velho Alfasud. E seguindo a regra de "para momentos desesperados, medidas desesperadas" a Alfa resolveu tentar um casamento de conveniência com a Nissan: a Alfa precisava de um substituto do Alfasud e a Nissan de produzir na Europa para contornar os impostos de importação. E o primeiro filho desse casamento foi o Alfa Romeo Arna.
Colocaram a suspensão dianteira, motor e caixa de velocidades do Alfasud no chassis de um Nissan Cherry e mudando basicamente apenas o logotipo e o volante era comercializado como um Nissan Cherry ou um Alfa Romeo Arna. Mas infelizmente é impossível agradar a gregos e troianos - apesar de até ser rápido os fãs da Alfa odiavam a forma exterior e o característico interior japonês tenebroso e os fãs da Nissan queriam era algo economia e fiabilidade japonesa, algo raro para os lados de Nápoles nos anos 80. Ao fim de pouco mais de 4 anos o casamento acabou e a Nissan montou a sua fábrica em Inglaterra e a Alfa foi comprada pela Fiat.


1985 Sinclair C5
O nome Sinclair deve soar familiar a muitos "crianças" dos anos 80 - quem não teve um Spectrum 48k em casa? Ou um 128k? Mas infelizmente nem todas as criações de Clive Sinclair tiveram tal sucesso - o C5 foi a pedra final.

A historia começa em Inglaterra a Agosto de 1983 entrou em vigor legislação que permitia a "unidades com rodas com assistência eléctrica" pudessem circular nas estradas sem carta de condução, seguro ou capacete - desde que pesassem menos de 60 quilogramas e tivessem a velocidade máxima de 24km\h.

Sinclair vendeu as suas acções da Sinclair Research para angariar os fundos necessários e criou a Sinclair Vehicles em parceria com a Lotus. E em 10 de Janeiro de 1985 apresentou em Londres o C5. Tinha uma bateria de 12 volts, um motor eléctrico, comandos que ficam debaixo dos joelhos do condutor e custava apenas 428 libras já com os portes de correio incluídos.

Infelizmente o clima britânico não é propriamente confortável, o pessoal da higiene e segurança fartou-se de lhe apontar perigos e infelizmente em Agosto do mesmo ano e após 12.000 unidades produzidas, chegou o fim. Provavelmente veio cedo demais...


1986 Rover 800
Eu ia falar do Rover 400 do meu pai (do ultimo modelo) que deu problemas do 1º ao ultimo dia - para terem uma ideia, quando tentei acertar o relógio de bordo apertei o botão para o fazer mas o relógio desapareceu para dentro do tablier! Mas o nosso colega Carlos convenceu-nos que 800 era mais importante. É que no inicio dos anos 80 a Rover chegou à conclusão que não conseguia desenvolver um automóvel fiável e para ganhar tempo resolveu encontrar um parceiro capaz de os ajudar - a Honda. No papel era dinamite: a Honda queria fabricar na Europa para contornar os direitos de importação mas não queria investir numa fábrica, a Rover precisava de um automóvel fiável e de um parceiro. Dai nasceu o Honda Legend e o seu primo, o Rover 800.
Mas infelizmente ter os ingredientes certos e a receita ao pormenor não assegura necessariamente o melhor resultado - desenvolvido pela Honda mas fabricados pela Rover em Cowley a qualidade era má, especialmente a nível dos sistemas eléctricos que começavam logo a dar problemas. Era preciso desmontar todo o tablier para localizar e corrigir os vários problemas e segundo reza a história não era possível voltar a monta-los como deve ser. A actual fábrica da Honda em Swindon (Inglaterra) começou por ser um centro que recebia os Legend fabricados pela Rover para consertar todos os defeitos da fabricação da Rover antes de os entregar aos clientes. Como a Rover durou tanto tempo é um mistério...


2005 Saab AlcoKey - Acessório
O AlcoKey da Saab foi um projecto da Saab patrocinado pela Segurança Rodoviária Sueca para tentar reduzir os 29% de acidentes fatais causados pelo álcool.
Trata de um dispositivo que podia substituir a chave do automóvel mas incluía um alcoolimetro - para desbloquear o automóvel o condutor tinha que soprar no tubinho e envia um sinal para a electrónica do automóvel que dependendo de quanto o condutor tinha bebido bloqueava ou não o automóvel. O principal objectivo do Saab AlcoKey era ser instalado em frotas automóveis ou serviços públicos. Uma boa ideia que infelizmente perdeu-se...



1992 Hobbycar
Os loucos anos 90, e no mundo das 4 rodas também, prova disso é o Hobbycar apresentado no salão de Paris de 1992: os alemães (que conseguiram fazer o 911 funcionar) desistiram do Amphicar, os franceses achavam que conseguiam ter sucesso. Optimistas...

E no papel até parecia que cobriram todos os pontos - foi desenhado de raiz para ser anfíbio, o motor estava na posição central para melhor distribuição de peso, tracção integral e a carroçaria de plástico reforçado era à prova de água. Os bancos podiam ser retirados, invertidos ou descidos, bem como o para-brisas.

Dentro de água tinha 2 hidro-jato e as rodas eram recolhidas para melhor performance na água - 5 nós de velocidades máxima. Na terra o 4 cilindros 1,9 litros PSA permitia atingir 140 km\h. E para que os clientes pudessem fazer um test-drive completo criaram um lago artificial ao lado da fábrica para que os clientes pudessem experimentar as potencialidades do Hobbycar.

Para tentarem rentabilizar o investimento tentaram desenvolver um monovolume luxuoso, mas isto acabou por arrastar a empresa para a falência depois de produzir 52 unidades do Hobbycar. Um belo mas estranho brinquedo.


2010 "Drivemocion Illuminating Sign"
As estradas congestionadas de hoje conseguem frustrar qualquer um, especialmente quando temos que lidar com condutores "impróprios". Daí que agressão é um sentimento muito comum nos condutores. E até recentemente a única forma de comunicar seria com um número limitado de gestos, o mais comum envolve 3 dedos. Mas no mundo moderno de Smartphones e Messenger, o que os americanos acham que nós precisamos é do Drivemocion.
É um mostrador de LEDs a pilhas que permite mostrar algumas das mensagens pré-programadas ao condutor que segue atrás de sí, incluindo os smiles do Messenger. E não, não permite programar as suas próprias mensagens...




2013 Estrela Mercedes luminosa
Acabou de chegar e deu logo entrada na nossa lista dos mais estranhos acessórios automóveis de sempre - a Mercedes acaba de propor um novo acessório que promete agradar a todos que querem exibir o facto que compraram um Mercedes: uma estrela da Mercedes iluminada.


Conseguida graças ao combinar fibra óptica iluminada por LEDs a "Illuminated Star" brilha quando o automóvel é destrancado, portas abertas/fechadas ou o motor é desligado. Disponivel como opcional em quase toda a gama para afagar o ego do seu proprietário por 300 euros.
"