Dacia Lodgy ensaio

E chego ao ultimo Dacia que ensaiei: tive o Sandero, Sandero Stepway, Logan MCV, Duster e agora o Dacia Lodgy. Comecei com o mais pequeno, acabo com o maior.
Este teve um factor extra para mim - é que para o ano vou trocar o automóvel familiar e a minha cara-metade jogou a carta "Tu escolheste o Twizy, agora sou eu que escolho" e ela definiu que o próximo terá que ter 7 lugares...yup, monovolume pode estar na equação. Estou em sarilhos. Portanto vamos lá ver do que este Lodgy é capaz.

Introdução
A Renault reinventou a Dacia em 1999 para produzir automóveis resistentes, fiáveis a baixo preço para os mercados emergentes da Europa de Leste e do Magrebe mas o sucesso foi tal que a Renault resolveu não só expandir a Dacia para outros mercados como também chegar a mercados os Renault que conhecemos não funcionariam. Actualmente a Dacia chega a 44 países e em muitos destes os Dacia são vendidos como Renaults - por exemplo no Brasil (2º maior mercados da Renault) e Russia (3º maior mercados da Renault). 

Tudo começou com os fiáveis e baratos Logan e Sandero, e explodiu com o Duster - nos últimos 10 anos apenas a Dacia já vendeu mais de 3 milhões de automóveis e o mais vendido de todos é o Duster.
E seguindo o principio de fazer mais com menos, o Lodgy é uma monovolume de 7 lugares e é baseado na mesma plataforma M0 dos actuais Sandero e Logan - serviu também de base para a versão comercial Dokker. 

Segue também a mesma receita - o Lodgy oferece transporte básico para a família, com muito espaço (4,5 metros de comprimento), 7 lugares e alguma versatilidade. As famílias que de outra forma teriam que ir para um automóvel usado de 5 lugares podem agora ter uma monovolume de 7 lugares pelo mesmo preço.


Primeiro contacto
E tal como os restantes modelos, o designe exterior do Lodgy é um equilíbrio entre formas mais simples e neste caso um ar familiar, aconchegador. 
Mas apesar das das linhas simples pessoalmente até gosto da frente do Lodgy se olharmos mesmo de frente, porque de perfil infelizmente nota-se a origem da plataforma porque as pequenas rodas parecem perdidas em tanto metal.
Pode ter o Lodgy em 3 níveis de equipamento: Pack, Confort e Prestige, mas do ponto de vista exterior a versão de base Pack é básica demais e só o consegue com o 1.2 litros TCe de 115 cavalos. As restantes motorizações têm apenas do nível Confort para cima e recebem fechos das portas e espelhos pintados na cor de carroçaria, faróis de nevoeiro e nova grelha dianteira que lhe dá um ar mais agradável.


Bem-vindo a bordo
No Duster temos um interior especifico partilhado com o Dokker, com muito material de Renaults presentes e passados, mas até é agradável à vista e está bem organizado. Infelizmente os plásticos continuam duros e menos agradáveis ao toque, mas a boa escolha de cores ajuda à qualidade apercebida e tudo parece bem montado.
A posição de condução é boa e fácil de obter, se bem que a direcção não é regulável em profundidade (o que pode ser complicado para o pessoal mais alto como eu) mas a direcção e assento regulável em altura (não na versão Pack) ajudam. A posição de condução é elevada e a visibilidade para o exterior é boa.

Também apartir do nível Confort temos comandos no volante e tirando os comandos da ventilação e o da regulação da altura dos faróis que estavam um pouco baixos demais, todos os restantes estavam à mão de semear e o sistema multimédia MediaNav que tínhamos (um opcional excepto no Prestige) era muito fácil de usar. 
O interior é literalmente cavernoso (no máximo pode transportar 2615 litros de carga ou 827 litros em 5 lugares), luminoso de fácil acesso até para os lugares da 3ª fila de assentos que podem ser retirados facilmente e não parecem ser apenas para crianças - na maioria das monovolumes compactas os últimos lugares traseiros são apenas para crianças, no Lodgy adultos mais compactos cabem. Mas a modularidade é muito básica, nada comparada com o que se obtém numa Scenic.

Em termo de equipamento as possibilidades de escolha não são muitas, apesar de haver 3 níveis de equipamento estes não estão disponíveis com todos os motores. A versão base Pack recebe basicamente o automóvel e mais nada: recebe direção assistida, vidros eléctricos à frente, limitador de velocidade (mas não cruise control) e mais nada. O controlo de estabilidade e antipatinagem é opcional bem como o rádio.
A versão Confort é a que faz mais sentido (e a mais comum) porque recebe radio, ar condicionado manual, vidros eléctricos, volante e assento do condutor regulável em altura, ESP e ASR e algumas actualizações visuais que tornam o Duster mais moderno e bonito. Se quiser algo mais pode ainda ir para o nível de equipamento Prestige que acrescenta couro no interior, cruise-control, o sistema multimédia Medianav, vidros eléctricos atrás e radar traseiro.


Condução
Pode ter o Dacia Lodgy com 4 motores: o 1.2 litros TCe a gasolina com 115 cavalos e 190 Nm de binário, o 1.6 litros 16 válvulas bi-fuel com 85 cavalos e o 1.5 dCi disponível com 90 ou 110 cavalos (e 200 ou 240 Nm de binário respectivamente).

A versão que conduzi estava equipada com o 1.5 dCi de 110 cavalos e creio que é a escolha acertada para a família que pretende longas viagens: a diferença em termos de preço, para o mesmo nível de equipamento, entre a versão 90 e 110 cavalos é de 250 euros e com isso recebe mais 20 cavalos e 40Nm de binário. Assim o Lodgy acelera melhor dos 0 aos 100 km/h (11.6 contra 12.4 segundos do 90 cavalos) que ajuda nas ultrapassagens sem aumentar muito os consumos (cidade/extra urbano/misto: 4.9/3.8/4.2 l/100km para versão dCi 90 e 5.3/4/4.4 l/100km para versão dCi 110).

O dCi de 90 cavalos também deverá desembaraçar bem mas se costuma viajar carregado 110 cavalos é o melhor. E sim, os motores a gasolina serão mais que capaz de mover o Lodgy, mas estamos a falar de um automóvel de 1.300 quilogramas e se meter muita carga e/ou 7 pessoas conte com um consumo muito elevado e dificuldade em lidar com a auto-estrada ou fazer ultrapassagens.

As suspensões são moles e confortáveis, mesmo nas partes mais acidentadas que encontrei mas mantém-se o adornar em curva que encontrei em outros modelos da marca. A insonorização até está bem feita - creio que é o modelo mais silencioso da Dacia da conduzi naquele dia, conseguindo isolar bem o ruído do 1.5 dCi mas ainda dá para sentir alguma vibração.

A caixa de 6 velocidades (apenas com o 110 cavalos) é bem escalonada e o 1.5 dCi de 110 cavalos tem força suficiente, é pouco sonoro, vibra pouco se bem que um pouco preguiçoso a subir de rotação no inicio.


E a Grand Scenic?
Ou outra monovolume compacta - uso a Renault Grand Scenic como exemplo porque já tive hipótese de a conduzir e se olharmos apenas para o tamanho o Dacia Lodgy fica frente-a-frente com a sua parente Grand Scenic. Claro a Grand Scenic começa nos 31.000 euros com o dCi de 110 cavalos enquanto o Lodgy começa no 13.190 euros com o 1.2 tCe ou 19.080,00 euros com o mesmo motor 1.5 dCi de 110 cavalos na versão mais cara - quase metade do preço. Mas será um comparativo justo?

Em termos visuais é como azeite e água - a Scenic, especialmente depois do ultimo restyling, tem presença, maturidade e um interior muito cuidado. Já o Lodgy é básico, painéis e linhas simples sem grandes detalhes com pequenas rodas perdidas nos cantos. Em branco vista de perfil recorda a alcunha que muitos davam aos antigos Fiat Tipo em branco: frigorífico.

Claro que neste formato capacidade de pessoas e tralha é um factor importante e a Lodgy bate claramente a Grand Scenic - não só em volume de carga mas enquanto eu mal caibo (a expressão correcta é "encaixo") na ultima fila de bancos da Grand Scenic na Lodgy estaria bem.

Mas o conforto e funcionalidades são também importantes e aí o Grand Scenic pode ser mais caro mas inclui ou permite por opcional ter aquele equipamento que separa um utilitário de um monovolume familiar. O Lodgy é mais rústico, não tem cartão mãos-livres, nem ar condicionado automático, vidros escurecidos, vidros eléctricos nas 4 portas são opcionais, não liga os faróis ou os limpa-vidros automaticamente ou tem cruise control. Sim, pode ter o Medianav que é muito fácil de usar, oferece todas as funcionalidades multimédia modernas e até agora o sistema que mais facilmente aceitou emparelhar com o meu Samsung Galaxy S2. Já o sistema base da Scenic é menos agradável de usar.

Em termos de modularidade a Scenic oferece muitas possibilidades, especialmente a questão de dobrar o banco do passageiro dianteiro para objectos longos e a longa lista de opcionais permite criar um automóvel à sua medida.

Resumindo, o Lodgy não é um rival para a Scenic ou outras monovolumes compactas. Se o Grand Scenic é para quem além de um automóvel procura um espaço para estar, acolhedor, agradável, confortável o Dacia Lodgy é um automóvel para quem procura o automóvel com o metro cúbico de interior ao preço mais baixo do mercado.


Concluindo
Creio que esta tudo dito. À Dacia só falta mesmo um descapotavel - já tem um citadino (Sandero), um compacto (logan), um SUV (Duster), 2 crossovers (Sandero e Lodgy Stepway) e este monovolume Lodgy. Basicamente todos os formatos automóveis financeiramente acessíveis e fiáveis.

Se o deixei curioso pelo Lodgy deixo uma recomendação e uma sugestão:
Recomendação: vá para o motor 1.5 dCi, a diferença de preço entre a versão de 90 e 110 cavalos é irrisória e a potência extra será útil para quando tiver carga completa, e se tiver cuidado com a opções pode comprar a versão Confort com Medianav, tapa-bagagens e sensores traseiros e ainda assim ficar 600 euros abaixo da versão Prestige com o mesmo motor.
Sugestão: experimente a versão Stepway que já esta disponível no Lodgy. É que quando conduzi o Sandero Stepway apercebi-me que este era mais confortável e tinha melhor comportamento em estrada - talvez tenham conseguido o mesmo feito no Lodgy Stepway.



Positivo
- Motor diesel agradável
- Conforto da suspensão
- Interior cavernoso
- Boa habitabilidade em todo os assentos
- Preço

Negativo
- Adornar em curva
- Ar condicionado, controlo de estabilidade e anti-patinagem opcional
- Direcção não comunicativa

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