Oremos todos

Caros irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para celebrar a estrada que nos une e onde a vida acontece. E hoje vamos ler do livro do Código de estrada e falar da versão automóvel da ejaculação precoce que alguns condutores sofrem.

A vida dá-nos avisos, se bem que nem sempre são tão claros como uma placa de trânsito. Às vezes são subtis: uma sensação de desconforto que insistimos em ignorar, um padrão repetitivo, uma voz cá dentro que já sabe antes de nós admitirmos. E às vezes só reconhecemos o aviso em retrospectiva — "ah, agora percebo porque é que a minha esposa trabalhava até tarde tantas vezes".

Na estrada os avisos são tão visíveis, claros e informativos como passar por um daqueles painéis informativos digitais na autoestrada que diz "a sua esposa está a dormir com o patrão". Avisa-nos com sinais verticais e horizontais, refletivos e até iluminados. Avisa de curvas perigosas antes de lá chegarmos, dizem "atenção" antes do perigo real aparecer à nossa frente. E até dá avisos à medida que nos aproximamos de saídas/entradas de vias rápidas e de áreas de serviço.

Tem uma placa a dois quilômetros de distancia a avisar da saída que se aproxima e as seguintes saídas. Depois tem uma a um quilometro de distancia da saída. E depois aquelas placas com as linhas inclinadas que avisam de 750 metros para saída, 500 metros para a saída e depois 250 metros para saída. O mesmo ao aproximar-se de uma área de serviço.

Então porque é que tantos condutores com tanto aviso e uma literal contagem decrescente, mesmo assim só quando estão em cima da saída saltam da faixa de ultrapassagem, cortam à frente do carro que estavam a ultrapassar na faixa da direita obrigando-o a travar e possivelmente causando um acidente?! Tal como na ejaculação precoce, o condutor viu a saída e não conseguiu aguentar.

O condutor ideal, tal como o amante ideal, equilibra a cumplicidade e a entrega genuína à experiencia/estrada partilhada valorizando a satisfação da outra pessoa/condutor tanto quanto a própria.

Ide em paz irmãos e irmãs, e sejam tão bons condutores como (acham) que são amantes.

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