DieselGate - ponto de situação 14-02-2017

Mais uma atualização do dieselgate, como sempre sem tretas, conservantes ou adoçantes acrescentados.

Piech is back!
Ferdinand Piech andava desaparecido desde que perdeu a guerra de poleiro com Winterkorn, mas parece que está de volta à ribalta e parece que anda numa de ajustar contas com a direção que lhe puxou o tapete - segundo um artigo do jornal Bild am Sonntag Piech terá dito aos investigadores internos da que os diretores do grupo sabiam da falsificação das emissões meses antes de se ter tornado publico.

Segundo o Bild Piech disse que soube da falsificação em Fevereiro de 2015 via uma empresa israelita de segurança (como raio é que uma empresa de segurança israelita soube é uma óptima pergunta) informando em seguida Winterkorn e a supervisão que inclui alguns nomes importantes como o primeiro ministro da Baixa Saxónia Stephan Weil, o chefe do sindicato Bernd Osterloh, anterior diretor do sindicato IG Metall Berthold Huber e Wolfgang Porsche.

A Volkswagen nega as acusações de Piech e adianta que a investigação interna já teria desmontado as acusações do anterior membro da direção, mas também acrescentou que considera a possibilidade de fazer queixa por falso testemunho contra Piech.

Claro que saber quem diz a verdade é complicado - de um lado temos a Volkswagen que não precisamos de explicar porque não é de confiança, mas de outro lado temos Piech que tem uma personalidade ditatorial e que até à sua saída do grupo quebrou todos os que se atravessavam no seu caminho.

Além da questão de como é que uma empresa israelita soube do dieselgate, há também um problema de cronologia na história de Piech - segundo as investigações dos americanos, a batota nas emissões começou em 2006 altura em que Piech tirou o tapete ao CEO da Volkswagen da altura Bernd Pischetsrieder substituindo-o por Winterkorn, o seu favorito na altura. Ou seja, a falsificação das emissões começou numa altura em que Piech puxava todos os cordéis no construtor...

E se ainda não estava suficientemente estranho, é que depois da noticia do Bild am Sonntag a comissão parlamentar alemã que investiga o papel do governo alemão no dieselgate convidou o senhor Ferdinand Piech a repetir as suas acusações e Piech recusa-se a testemunhar. Segundo o advogado de Piech, as afirmações de Piech eram para os investigadores da Jones Day e procuradoria e não para o publico saber tal como não planeia comentar mais nada...O que irá agora fazer a comissão parlamentar é uma boa pergunta.


PSA também em sarilhos na França?

A PSA sempre gabou a sua tecnologia SCR mais cara mas mais limpa que os concorrentes e até agora ninguém tinha a apontar à marca francesa, mas em testes do governo francês 5 veiculos (Euro5 na altura) da PSA acusaram emissões de NOx em estrada muito mais elevadas que o valor legal. O engenheiro chefe da PSA Gilles Le Borgne disse que por design o EGR do motor é reduzido a temperaturas mais elevadas (ou seja a velocidades mais altas) para melhorar consumos e emissões de CO2 fora da cidade onde as emissões de óxidos de azoto são menos criticas. Onde termina "a optimização" do motor e começa a infracção é uma boa pergunta.


Nissan perde recurso na Coreia do Sul
Em 2015 o ministério sul-coreano do ambiente acusou a Nissan de usar um dispositivo nos Qashqai diesel para falsear as emissões nos testes de homologação, tendo multado e ordenado a recolha dos automóveis em questão. Para limpar o seu nome a Nissan processou o ministério, mas o tribunal administrativo de Seoul veio agora dar razão ao ministério.

Tentei via tradutores online ver exatamente o que os Coreanos descobriram que os europeus ainda não teriam detectado, afinal o Qashqai vem da fábrica de Sunderland em Inglaterra com os mesmos motores diesel Renault que nós temos, mas a única coisa que surge consistentemente é que em testes de estrada as emissões de óxidos de azoto são acima dos valores legais e que por isso terá havido falsificação dos testes de homologação. A Coreia tem o seu próprio protocolo de homologação e assim que tiver mais detalhes atualizo.

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