Recordar o Renault 11 Electronic

O Renault 11 Electronic era uma versão equipada com tecnologia de ponta para a altura e para o segmento - conjunto de instrumentos digital de cristais líquidos, sintetizador de voz e sistema audio Hi-Fi controlado por comandos no volante...sim, bons velhos tempos.


Introdução
No Renault 11 Electronic a tecnologia digital era de ponta e substitui totalmente os instrumentos tradicionais analógicos ou mecânicos - da abertura/fecho das portas por comando de infra-vermelhos, pelo conjunto de instrumentos de cristais líquidos à voz sintética que o informa sobre o que se passa com o carro - sim, foi um modelo particular e para muitos desconhecido mas anteviu muitas das tecnologias que hoje em dia estão disponíveis em quase todos os segmentos da produção em grande série - incluindo a primeira versão do que viria a ser o RDS.



O Renault 11 Electronic
Ambos desenhados por Robert Opron (também teve uma mãozinha nos Citroën GS, SM, CX, Renault Fuego e Renault 25) o Renault 11 foi lançado em Abril de 1983 como a versão 3 e 5 portas do Renault 9 (4 portas) lançado em Setembro de 1981. Além do formato exterior próprio o Renault 11 recebia um tablier especifico para integrar os equipamentos específicos das versões "Electronic" que estavam disponíveis desde o lançamento - é capaz de ter ouvido falar da pessoa que desenhou o tablier e interior: um certo Marcello Gandini.

Os Renault 11 TSE/TXE/Automatic "Electronic" foram os primeiros automóveis franceses equipados com um tablier de bordo completamente digital fornecido pela Jaeger, com síntese de voz e foi o primeiro Renault com comando satélite junto ao volante para o sistema audio e tablier - algo que a marca francesa ainda hoje mantém e mantém a melhor implementação.
O sistema de síntese de voz/voz sintética era usado para avisar o condutor de eventuais problemas (se fechou mal a porta, se precisa de mudar o óleo) e até demonstrações/apresentações em concessionário. Este sistema também foi introduzido em algumas versões do Renault 25.


O R11 Electronic recebia um sistema audio Hi-Fi da Philips com mostrador separado e com comando junto ao volante. Tinha som Dolby, era capaz do acompanhamento automático de estações radio (o RDS antes de existir o RDS), leitor de cassete auto-reverse, 6 colunas de maior qualidade que obrigou a paneis interiores de portas mais largos (dois baixos de 13 cm atrás, dois médias de 17 cm nas portas dianteiras e dois tweeters incorporados no tablier, e como a época obrigava, um equalizador completo.

Mas sejamos sinceros, a peça principal é mesmo o conjunto de instrumentos de cristais líquidos à frente do condutor - a ideia era permitir ao condutor encontrar a informação que procura no mais pequeno espaço de tempo simplificando ao máximo a informação mas mantendo o seu conteúdo com meios simples de apresentação.

Este mostrador teve algumas evoluções ao longo do tempo mas o esquema era o mesma - no visor principal tínhamos a velocidade, rotações, temperatura do motor e nível de combustível (quando liga a ignição começa pelo nível do óleo e a pedido pode mostrar a pressão do óleo) em colunas de altura variável que facilitavam a leitura.



À esquerda tinha um mostrador dedicado a testemunhos de problemas - cada um associado a uma mensagem sonora via o sistema de voz sintética para avisar o condutor.

À direita no inicio tínhamos um mostrador de fundo laranja com testemunho de aberturas de portas, mas mais tarde recebeu um computador de bordo capaz de mostrar informação vária: consumo médio e instantâneo, autonomia, combustível disponível, temperatura exterior e outros.

O comando satélite junto ao volante controlava não só o rádio como o funções do computador de bordo (comutar entre as diferentes informações), recordar/anular avisos sonoros e outras funções do automóvel.


Gama
O Renault 11 Electronic estavam disponíveis em 3 versões - TSE, TXE (o mais conhecido) e Automatic Electronic. Recebiam cores especificas (por fora e por dentro) e stripping lateral em preto. Como opções podiam receber tecto de abrir e ar condicionado.
Pelo meio houve ainda a série especial mais acessível "Renault 11 Electronic" e uma versão para o mercado norte-americano.

- TSE Electronic:
Esta versão estava disponível desde o lançamento, com o motor 1397 cm3 C2J Cléon-Fonte alimentado por um carburador duplo corpo Weber 32 DRT debitando 72 cavalos DIN.
Mantém o equipamento do Renault 11 TSE normal (vidros eléctricos, fecho centralizado, interior veludo, tapetes espessos, farois de nevoeiro, vidros coloridos entre outros) e acrescenta o tablier digital, sintetizador de voz, sistema audio hi-fi Philips, interior de veludo azul escuro e como opção podia ainda receber um limitador de velocidade Normalur.

- Automatique Electronic:
Resumidamente a versão acima mas recebe uma caixa automática, reduzindo a potencia para 68 cavalos DIN.

- TXE Electronic:
Em 1983 a Renault apresenta o novo motor F de 1721 cm3 (type F2N) com carburador de duplo corpo Weber 32 DRT para substituir o velho motor Cléon-Fonte nas versões mais potentes da gama R9/R11 com excepção dos Turbo. Com o F2N, o GTS vira o GTX, o TSE vira TXE e o TSE Electronic vira o TXE Electronic. Durante algum tempo a Renault mantém as versões GTS, TSE e TSE Electronic em paralelo com o velho motor. Assim sendo o Renault 11 TXE Electronic é, com excepção da motorização, idêntico ao TSE Electronic.

- Série limitada 11 Electronic:
Em 1985 a Renault lança uma série limitada de 4500 exemplares chamada apenas "Renault 11 Electronic" baseado no nível de equipamento mais baixo do 11 GTL mas acrescenta dos R11 TSE/TXE Electronic o tablier digital, sintetizador de voz, vidros coloridos, 2 cores especificas e tampões de rodas específicos.


- Encore Electronic:
Curiosamente o Renault 11 Electronic chegou aos Estados Unidos com o nome Renault Encore Electronic. Era uma opção do modelo normal que já existia e não um modelo independente. Recebe apenas o tablier digital - o sintetizador de voz e sistema audio Hi-Fi não chegaram lá.





Concorrência
Claro que os outros construtores não quiseram ficar para atrás no que pensaram ser o futuro e lançaram modelos equipados com alguns destes sistemas, mas nenhum com tanto empenho e a fundo como a Renault.

A Citroën apresentou em 1985 o Citroën BX Digit que combinava o nível de acabamento do BX 16 TRS com o motor de 105 cavalos do BX 19 GT com equipamento especifico para boa medida.
Interior de veludo especifico, inscrição "Digit" na tampa do cinzeiro, vidros eléctricos nas 4 portas, um conjunto de instrumentos digital com os velocímetro numérico, conta-rotações com barras digitais horizontais no topo, e barras laterais na perspectiva da estrada que avançam com a subida da velocidade, aviso sonoro de faróis ligados, fecho automático com comando à distância, radio cassette Hi-Fi Pioneer (som Dolby, 6 memórias de estações de rádio, equalizador, 5 colunas) e computador de bordo (que permitia calculo do consumo médio, consumo instantâneo, velocidade média, distancia percorrida, distancia por percorrer, pontos intermédios definíveis com aviso de aproximação e outras funções).






A Volkswagen disponibilizou o Golf II Match GTI 16v de série com um conjunto de instrumentos digitais chamado Digifiz - o mesmo sistema era opcional no GTI 8v.




Na Opel os Kadett E GSi, Vectra B e Senator (respectivamente abaixo) chegaram a receber, como opção, um conjunto de instrumentos digitais.



Até os italianos resolveram tentar a sua sorte. A Lancia foi a primeira com o concept Megagamma de 1978 e mais tarde comercializou o Lancia Dedra com a opção de tablier "Opto-Electronique".





E quem não podia esquecer o tablier digital incluído no pequeno Fiat Uno?! Aqui o do Turbo ie.

Por ultimo os Fiat Tipo/Tempra Eletronic - confesso que tentei convencer o meu pai a comprar um destes quando saiu...sem grande sucesso.





Concluindo
Esta tecnologia não teve grande sucesso - lançado em 1983 o Renault 11 Electronic acabou naquela geração no final de 1986 sem qualquer continuidade, mas porque veio antes da altura certa - "Avantime" se me permitem a ousadia. 

Este modelo de grande série acessível estreou tecnologia que hoje em dia quase todos os automóveis têm uma evolução: dos LCDs para os TFT-LCD tacteis, da voz sintética de 8 bits limitada a algumas mensagens para assistentes digitais como a Alexa, do sistema Hi-Fi Dolby para o DAB digital. O hoje é a norma, o Renault 11 Electronic estreou.

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