DieselGate - ponto de situação 30-05-2017

Há já algum tempo que não fazia um apanhado das notícias ligadas ao dieselgate - ficam abaixo os principais desenvolvimentos como sempre sem tretas, conservantes ou adoçantes acrescentados.

Matthias Müller e outros sobre investigação
O CEO do grupo Volkswagen Matthias Müller esta sobre investigação dupla na Alemanha: se reteve informação sobre o dieselgate aos accionistas e sobre manipulação do mercado aquando da tentativa de assalto da VW por parte da Porsche (quando ainda era um construtor independente). Na investigação de manipulação de mercado Hans Dieter Poetsch também está metido ao barulho.

É uma novidade interessante - no inicio ninguém achava que Muller tivesse algo a ver com o dieselgate ao vir substitui Martin Winterkorn em Setembro de 2015. Mas algo mudou porque em marco do ano passado as autoridades alemãs apreenderam telemóveis, emails, computadores, ficheiros informáticos de vários funcionários da Volkswagen e Audi incluindo Muller. Assim sendo confirma-se que as procuradorias alemãs estão a investigar o topo da cadeia alimentar da VW já que também Winterkorn e Hans-Dieter Pötsch estão sobre investigação.

Mas não acabam ai as investigações à direção da VW - agora é o responsavel máximo do sindicato interno Bernd Osterloh a ser investigado por "salário excessivo". Na Alemanha o esbanjar de fundos corporativos é uma quebra de obrigação fiduciária.


Revista a Jones Day legal, diz mais um tribunal
A Volkswagen continua a tentar invalidar tudo o que a justiça alemã possa ter encontrado na "visita" em Março às instalações da Jones Day, mas tem saido furado: mais um tribunal declara legal a revista à empresa de advogados. A marca alemã não desiste e irá recorrer para o tribunal federal. 

Foi uma manobra interessante da procuradoria - apesar da Jones Day ser um firma de advogados ela não estava a representar a VW mas a auditá-la, logo não se aplica o segredo de cliente-advogado.


Já se fala em sucessor de Muller
Segundo uma entrevista de Mueller ao jornal diário Handelsblatt o atual CEO já está em conversações com a direção sobre quem será o seu sucessor. O atual contrato de Mueller vai até meio de 2020 mas pretendem decidir com antecedência o sucessor que ele espera vir de dentro do grupo.


EU lança acção legal contra a Itália relativamente a emissões da Fiat
A comissão europeia iniciou processos legais contra a Itália por esta não responder as alegações da Fiat falsear testes de emissões - o primeiro passo antes de se iniciar um processo em tribunal europeu. A comissão europeia tem estado a (tentar) mediar a disputa entre os alemães (que dizem ter provas que a Fiat falseia as emissões nos Fiat 500X, Fiat Doblo e Jeep Renegade) e italianos (que basicamente recusam cooperar incluindo testar de forma suspeita automóveis da FCA).


Americanos também atrás da Fiat
Mas os sarilhos da Fiat não acabam na Europa - os departamento de justiça norte-americana prepara-se para processar a Fiat Chrysler Automobiles se não se chegar a acordo sobre as supostas violações dos seus motores diesel. Parece que tal como na Europa, os italianos andaram a fazer ouvidos moucos, mas a EPA (ao contrario da Comissão Europeia) tem dentes afiados nestas questões. Para já é apenas uma ameaça, o processo está pronto mas não deu entrada no tribunal - ainda decorrem negociações.

Para quem não se recorda, a Fiat é acusada de usar dispositivos/software em 104.000 Jeeps Grand Cherokee e pickups Ram 1500 para desligar os controlos ambientais para melhorar performance, tal como a Volkswagen fez. A Fiat continua a dizer que os seus "controlos" não foram feitos para dar a volta aos testes de emissões mas também ainda não explicou completamente para o que exactamente servem. Segundo a EPA "alguns dos controlos parecem fazer o veiculo comportar-se de forma diferente quando esta em testes relativamente a quando está em condução normal, e segundo testes efetuados os veiculo produzem níveis mais elevados de NOx em certas condições".

Curiosamente a 12 de Janeiro Sergio Marchionne disse que não usavam dispositivos de falsificação de emissões, mas depois em Abril já dizia que "podem ter havido erros na informação de homologação do software usado nos motores diesel." Acresce o facto que desde que esta acusação veio ao de cima a EPA não permitiu a homologação dos modelos diesel para 2017 da Fiat, que está a tentar fazer aprovar uma atualização de software para estes carro de 2017 que depois também seria para ser feita nos modelos de 2014 a 2016...

Mas pode ser mesmo um (grande e dispendioso) erro da Fiat - ter software para gerir os sistemas de emissões é permitido desde que a sua presença e modo de funcionamento seja explicado no momento da homologação. Será que a Fiat esqueceu-se disso? Mesmo assim não explica a acusação da EPA de que os modelos afetados tem comportamentos diferentes em teste e na estrada...


Tu também General Motors?!
Cheguem para lá Renault, PSA, Volkswagen e Fiat para dar espaço à General Motors - a GM acabou de ser acusada nos EUA de utilizar software para falsificar as emissões em 2 modelos das suas pick-ups heavy-duty Duramax diesel produzidas entre 2011 e 2016. A queixa foi submetida em Detroit por vários escritórios de advocacia (entre elas a Hagens Berman Sobol Shapiro que teve muito sucesso a espremer a VW) em nome de mais de 705.000 proprietários. Segundo a acusação, em condições de estrada, estas pick-ups produzem 2 a 5 vezes mais o limite legal de poluição.


Volvo desiste do diesel
Há já algum tempo que dizia que o diesel não iria ser proibido mas sim tornar-se caro demais para valer a pena na maioria dos segmentos - o CEO da Volvo é da mesma opinião: Hakan Samuelsson disse ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung que não irão desenvolver uma nova geração de motores diesel devido ao elevado custo de desenvolvimento para cumprir os limites de NOx.

Samuelsson disse que a Volvo vai continuar a melhorar os motores atuais (apresentados em 2013) que espera irem até 2023 (em 2021 as emissões de CO2 da gama dos construtores automóveis devem passar dos atuais 130 para 95g/km) antes de se tornarem caros demais - segundo a Goldman Sachs os motores diesel atuais são 1.300 euros mais caros de produzir relativamente aos equivalentes a gasolina, com o aperto legal essa diferença poderá atingir a curto prazo 1.600 euros.

A Volvo vai apostar nos 100% eléctricos (1º modelo em 2019) e híbridos eléctrico-gasolina para atingir a eficiência do diesel e mais adiante substitui-los. É uma aposta muito grande para a Volvo que vende a maior parte da sua gama com motores diesel - a titulo de exemplo, na Europa 90% dos XC90 são diesel.


EPA aprova reparação para mais motores
A EPA e CARB anunciaram a aprovação da reparação (colocação dos veículos conforme os limites legais) de 84.390 Volkswagen Passat 2.0 litros TDI automáticos de 2012 a 2014. Os modelos com caixa manual ainda vão ter que esperar. Até agora, para este motor, apenas existia aprovada uma reparação para 67.000 unidades do modelo de 2015 - que permitiu à marca vender 12.000 automóveis novos (Golf, Beetle e Passat) modelo 2015 em stock que estavam proibidos de vender desde que o dieselgate veio ao de cima.


22.78 mil milhões de euros com a falsificação
O jornal Le Monde cita um relatório não publicado da agência anti-fraude francesa DGCCRF que afirma acreditar que a Volkswagen terá feito 22.78 mil milhões de euros em vendas de veículos com o tal "dispositivo de falsificação de emissões" na França e 1.52 mil milhões de euros em poupanças ao não ter que investir para cumprir regulamentação. Este valor foi determinado para o caso de a VW for a tribunal e considerada culpada em França, servindo de base para fixar uma multa.


Escritórios da Daimler revistados pelas autoridades
A procuradoria de Estugarda revistaram 11 instalações da Daimler nos estados de Baden-Wuerttemberg, Berlim, Baixa-Saxónia e Saxónia no âmbito de uma investigação de fraude de publicidade enganosa e possível manipulação dos sistemas de tratamento de emissões de automóveis diesel. As buscas são direcionadas (segundo a procuradoria) a funcionários conhecidos e desconhecidos da Daimler, mas segundo uma fonte da Daimler a procuradoria de Estugarda não está a investigar nenhum membro da direção.

Mas segundo o jornal diário Handelsblatt, citando fonte na procuradoria, esta investigação também incluiu funcionários da Bosch por conluio com a Daimler.

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