Momento "Cheira a esturro" do dia

Ainda recentemente escrevi sobre como hackers conseguiram aceder aos controlos de um Corvette (incluindo accionar ou desactivar os travões) via um dispositivo comercial de gestão de frotas ligado à porta de diagnóstico OBD II e se há uma lição que este caso nos dá é: limitar o acesso ao nosso automóvel não ligando, em particular a uma porta de acesso directo aos sistemas do automóvel, acessórios desnecessários. Algo que a AT&T americana não quer saber. 
Sei que é uma empresa que não opera na Europa mas vão já perceber porque é que falo nisto. - a AT&T acabou de apresentar um router wifi para automóveis chamado ZTE Mobley, que não é algo particularmente novo excepto que para funcionar tem que estar ligado à porta OBD II do automóvel. Algo estranho já que quase todas este routers ligam-se à tomada de 12 volts ou tem uma bateria interna, mas este liga-se à porta de diagnóstico para (segundo a AT&T) ligar-se automaticamente sempre que se liga o automóvel. 

Sei que é "teoria de conspiração" mas sinceramente isto cheira a esturro - porque ligar um dispositivo a uma porta de diagnóstico automóvel quando podia funcionar exactamente da mesma forma na clássica de 12 volts? Porquê colocar em risco os seus clientes? 
E já que estou em modo de "Teoria de conspiração" dou uma possível resposta - a operadora quer entrar na corrida pelos "dados de origem automóvel" que já aqui escrevi antes. Não estamos a falar de dados dos sistemas funcionais (como a direcção, travões e outros) que a maioria dos construtores se recusa a dar (e quem deu arrepende-se como é o caso da Fiat-Chrysler) - estamos a falar de dados como a localização física, que rádio ouve e outros dados que o automóvel pode captar e pode ser capitalizado. Por exemplo - sugerir percursos, restaurantes, oficinas ou quem sabe uma seguradora oferecer um seguro personalizado com base na informação/comportamento do condutor. E o melhor de tudo, como é um acessório instalado pós-venda a operadora consegue passar por cima de qualquer limitação que o construtor tenha colocado. 

"Mas isto é nos EUA" dizem vocês - têm razão, mas espera-se que estes dados venham a valer muito dinheiro e acha mesmo que as operadoras europeias não vão simplesmente ficar a olhar?

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