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Kobe Steel perde certificações

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Novidades do escândalo da Kobe Steel - a fábrica em que a maior parte da falsificação de especificações ocorreram perdeu todas as suas certificações de qualidade ISO 9001 depois de perder as certificações JIS (Japan Industrial Standards). Para seguir este tema clique na tag KobeSteel.
É uma perda significativa porque muitos clientes exigem algum tipo de certificação de qualidade nos seus cadernos de encargos - perder as certificações vai reduzir fortemente a carteira de clientes. Os clientes da Kobe vão passar certamente para concorrentes e se vão voltar é uma pergunta muito complicada de responder. 3 outras fábricas da Kobe de produtos de cobre e alumínio tiveram as suas certificações ISO 9001 suspensas até 6 meses.

[update]Escândalo Kobe Steel - explicação

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É possível que já tenha ouvido falar no escândalo que envolve a japonesa Kobe Steel que terá falsificado as especificações de materiais que produziu. É fácil pensar que é algo que não nos afectará mas é exactamente o oposto - se os airbags da Takata eram maus, este novo escândalo é bastante bastante pior. E não, não estou a ser dramático - segundo o site desta empresa fabricam metade das molas de válvulas no interior dos motores de automóveis de todo o mundo, metade dos discos de alumínio para discos rígidos do mundo e 40% das cambotas usadas em motores navais do mundo. 
Não acaba aí - é também um dos maiores produtores mundiais de contentores de armazenamento de residos nucleares de centrais eléctricas nucleares e o maior fornecedor mundial de subestruturas de chumbo usadas na construção de chips informáticos!

Quando se trata de um "componente" defeituoso é (relativamente) fácil de substituir - os airbags da Takata por exemplo. O problema é que podemos estar a falar de materiais ou componentes dentro de elementos mais complexos, como partes do chassis de um automóvel. Se me permitirem a analogia culinária, depois de fazerem um bolo descobrirem que uma das farinhas estava estragada não conseguem retirar essa parte. Neste caso, temos a Kobe Steel (um grande fornecedor de componentes materiais em aço, cobre e alumínio para a industria automóvel e aeroespacial por todo o mundo) a admitir que falsificou relatórios de inspecções, certificações e controlo de qualidade dos seus produtos - é que temos desde componentes que seguram as rodas dos famosos comboios bala no Japão até cabos de aço usados em motores e pneus de automóveis!

Mas fica pior - segundo um relatório da Nikkei que cita fonte interna anonima da Reuters que a Kobe Steel não confirma porque "ainda está a investigar", esta falsificação de dados já decorre há mais de 10 anos! Ou seja, podemos estar ainda a ver a proverbial ponta do proverbial iceberg. O relatório da a Nikkei vai mais longe - a falsificação decorre há varias décadas com conhecimento dos gestores da unidade de fabricação e controlo de qualidade.

A qualidade do "made in Japan" esta definitivamente em crise - primeiro a Takata e agora a Kobe Steel. É que não são uns "funcionários fora de controlo", isto é parte da cultura da empresa. A única dúvida que para mim fica no ar é se foi uma questão de tentar ganhar mais dinheiro ou se a empresa era simplesmente incapaz de produzir segundo os cadernos de encargos dos clientes.

Neste momento temos os clientes a tentar determinar se receberam componentes falsificados e onde estão eles - é mesmo não sendo clientes diretos da Kobe Steel, fornecedores diretos podem usar material da Kobe. A lista das empresas afetadas é...abrangente (525 empresas para já afetadas) e preocupante. Ainda não está determinada até onde vai a falsificação e até agora não foram detetados problemas de segurança ligados a estes componentes. Abaixo estão algumas das empresas afetadas, que receberam componentes falsamente certificados ou estão em processo de verificação se receberam tais componentes:
- Boeing: recebeu produtos da Kobe Steel falsamente certificados;
- Airbus: não compra diretamente à Kobe Steel mas está em processo de investigar se os seus fornecedores o fazem;
- Ford: o Mondeo fabricado na China usa elementos em alumínio fornecido pela Kobe Steel, está em processo de verificação;
- General Motors: está em processo de verificação;
- Toyota: elementos fornecidos pela Kobe Steel foram usados em portas e capots automóveis;
- Rolls Royce: recebeu produtos afetados mas não foram usados;
- Korean Air: terá fabricado componentes apartir de materiais da Kobe Steel depois fornecidos à Boeing, está em processo de verificação;
- Hyundai: os Ioniq e Niro têm painéis produzidos pela Kobe Steel;
- Nissan: portas e capots estão afetados;
- Honda: em automóveis portas e capots estão afetados e componentes do HondaJet;
- Subaru: veículos, aviões e equipamento de defesa usaram produtos afetados da Kobe Steel;
- Suzuki: produtos afetados da Kobe Steel foram usados em motas;
- Mazda: produtos afetados da Kobe Steel foram usados;
- Mitsubishi Motors: produtos afetados da Kobe Steel foram usados;
- Mitsubishi Heavy: produtos da Kobe Steel foram usados no seu jacto regional, foguetes (incluindo o H-2A) e equipamento de defesa;
- IHI: produtos afetados foram usados nos seus motores a jacto fornecidos à Boeing e a várias empresas da industria de defesa e aeroespacial japonesa;
- Hitachi: produtos de aluminio afetados foram usados em comboios no Japão e Reino Unido, estando em processo de substituir elementos dos comboios rápidos japoneses;
- JR Tokai, JR West, JR East: produtos afetados usados nos comboios rápidos;
- Tokyo Metro Co Ltd e Hankyu Hanshin Holdings Inc: outros operadores de comboios afetados; 
- Kawasaki Heavy: materiais afetados foram utilizados em componentes de aviões e motores, a investigar se a componentes para comboisos foram afetados;
- Mitsubishi Electric: cobre afetado foram usados em equipamentos de ar condicionado produzidos no Japão;
- TEPCO: a Tokyo Electric Power Holdings que operava a acidentada central nuclear de Fukushima Daiichi diz que recebeu tubos da Kobe Steel não corretamente inspecionados numa outra central nuclear (Fukushima Daini);
- Chugoku Electric Power Co Inc, Hokuriku Eletric Power Co, Japan Nuclear Fuel Ltd, Kansai Electric Power Co Inc e Kyushu Electric Power Co Inc: outros fornecedores de electricidade afetados;
- Volkswagen: a Kobe Steel não é um fornecedor direto mas está a investigar possível subcontratação;
- Panasonic: produtos afetados foram usados em discos Blu-ray, além de tubos de cobre e liga de cobre;
- Daihatsu Motor Co: produtos afetados da Kobe Steel foram usados;
- Komatsu: equipamento de defesa usaram produtos afetados da Kobe Steel;
- Shimadzu Corp: caixa de velocidades e bombas de vácuo para aviões;
- Bosch: produtos afetados da Kobe Steel foram usados;

O Nikkei disse que as seguintes empresas (agrupadas por área) receberam produtos da Kobe Steel com especificações falsas, a Kobe Steel confirmou a Reuters que estas receberam componentes seus mas não confirmou se as especificações estariam falsificadas.
- Componentes automóveis: Denso Corp (radiadores), Yamaha Motor, Sumitomo Wiring Systems, Takata Corp, Fujitsu Ltd, Yazaki Corp;
- Tesla Inc, Renault SA, Daimler AG, Valeo SA e Volvo AB;
- Motores de navios: Shimadzu Corp, Mitsui Engineering e Shipbuilding Co Ltd, NEC Corp, Yokohama Rubber Co Ltd, Komatsu Ltd;
- General Electric;
- Equipamento de frio: Daikin Industries Ltd, Toshiba Corp, Horiba Ltd, Nidec Corp;
- Intel Corp;

No dia a dia trabalho na área de segurança e controlo de qualidade alimentar e posso dizer que "produto com defeito" é algo inevitável em qualquer industria . Mas as empresas tomam medidas para minimizar os problemas e são feitos múltiplos controlos para evitar que produto defeituoso seja enviado ao cliente. Que raio aconteceu aqui ainda é cedo para determinar - fiquem atentos.


update 08-11-2017: novos dados sobre a Kobe Steel para dar uma ideia de como este escandalo de uma forma ou outra afeta todos, novas empresas foram adicionadas a lista de empresas afetadas com base na atualização da Reuters.