Os Renault 5 6×6 de Christian Léotard

Quando partilhei a foto do Léotard Renault 5 6x6 no Facebook houveram muitos, que tal como eu sinceramente, nunca tinham ouvido falar dele e resolvi procurar um pouco mais dados sobre este veículo e a historia que encontrei por detrás é bastante interessante.

A história começa a meio do anos 70 quando o engenheiro frances Christian de Léotard colaborava com o carroçador Tissier para transformar um Citroen DS num veiculo com uma plataforma traseira tipo reboque capaz de transportar um automóvel mantendo a capacidade de passageiros. Foi aí que Tissier sugeriu a Leotard que o veiculo não tinha que ter apenas 4 rodas e uma luz acendeu-se em Léotard.
Saltando um pouco mais adiante Christian de Léotard vai parar à divisão militar da British Leyland em inglaterra onde colabora no desenvolvimento do Range Rover com 6 rodas motrizes. Em 1978 abandona a BL e regressa a França para fundar a ADPL (Application Des Procédés Léotard) onde se dedica a adaptar automóveis, inicialmente Range Rovers e depois com Mercedes Classe G, com a sua tecnologia 6x6. 
Com os Range Rover Leotard oferecia desde carros de combate a incêndios para bombeiros a plataformas moveis de armas para exércitos mas era um mercado limitado - ele acreditava que a tecnologia que patenteou podia ser usada em veículos mais acessíveis aumentado assim a gama de clientes. 

Na altura não havia veiculo mais acessível e disponível que o Renault 5 que com a sua conversão Christian Leotard queria cativar os serviços de policia, bombeiros e emergências nacionais.

Pelo que consegui investigar Christian de Léotard apenas construiu 3 Renault 5 de 6 rodas.


Renault 5 TS 6 rodas
A primeira transformação foi um Renault 5 TS preto de 1976 que foi convertido a 6 rodas. A carroçaria foi construída de 2 R5 soldados e reforçada com tubos para garantir a rigidez necessária. A conversão acresce 100 quilogramas para um total de 980 quilogramas e o comprimento passa para 4,21 metros. A transmissão da Léotard combina componentes da Simpar (que preparava Renaults) com um sistema hidrostatico semelhante ao usado em veículos de lagartas como tanques. Os travões de tambores traseiros foram substituídos por discos e o motor de 1,3 litros do Renault 5 TS foi também melhorado.
Este R5 foi transformado em 6×4 e depois em 6×6 mas deu imensos problemas principalmente devido à mistura de componentes usados (o eixo dianteiro era do R5, o primeiro eixo traseiro era de uma 4L com transmissão R6 4×4 Simpar e o segundo eixo traseiro era de um R6). As vibrações eram tais que após partir 2 caixas e 2 transmissões Leotard desistiu e ficou-se por um arranjo 6x4. A viatura acabou de pintada em cinza metalizado com jantes especiais e fez muitas aparições em revistas da altura.


Renault 5 Alpine 6 rodas
O segundo Renault 5 transformado por Léotard foi um R5 Alpine com o objectivo de participar no Paris-Dakar de 1980 para demonstrar a resistência do seu sistema que ficou concluído em Novembro de 1979. Infelizmente, tal como com o R5 TS, esta segunda conversão também não correu bem e desistiu por problemas mecânicos.





Renault 5 Turbo2 6x6
Depois do Dakar Christian de Léotard quis agradecer à Renault criando para um dos seus diretores um modelo muito especial - um Renault 5 Turbo de 6 rodas. Mas como a Renault não tinha na altura sistemas de tração integral e os sistemas da Simpar não eram capazes de lidar com tanta potencia Léotard resolve recorrer a 2 motores para este Turbo de 6 rodas! As particularidades não acabam aqui: cada motor podia ser ou não sincronizado e cada motor apenas movia um eixo, ou seja, era possível ter um 6x4 ou um 6x2 mas não um 6x6. Tinha a vantagem que podia escolher trabalhar com um (qualquer um) ou ambos dos motores.

Cada motor tinha a sua caixa de velocidades idêntica e o habitáculo tinha duas manetes de velocidades ligadas por um pantograma de Leotard que permitia ao mudar de velocidade numa caixa mudava automaticamente na outra.
 A adição do segundo eixo traseiro tinha a vantagem que podia levar mais um passageiro atrás.

Este modelo particular ficou armazenado numa garagem e chegou-se a projetar uma série limitada de 10 unidades já baseada no Renault Clio Sport mas com uma carroçaria moldada do R5 Turbo mas um incêndio na garagem em 2002 destruiu parcialmente a viatura.

Christian de Léotard estava decidido a recuperar a viatura mas faleceu antes do conseguir.

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