Camuflagem urbana

No fim de semana passado, a minha esposa pediu-me se podia-mos ir jantar fora e ir ao cinema ver o novo Indiana Jones. Soa bem, um jantar romântico seguido de um bom filme. A noite prometia. Porém, dois problemas sérios colocam-se a esta noite. Primeiro não tinha carro, e segundo estávamos em Lisboa.


Têm havido inúmeras campanhas para tentar puxar as pessoas para dentro de Lisboa, mas infelizmente sem grande sucesso. Lisboa é um deserto após o horário de trabalho. E até compreendo porque. Jantar fora em Lisboa é daquelas experiências que desaponta a mais optimista das pessoas. O primeiro problema é arranjar lugar para estacionar o automóvel. Temos que dar voltas durante pelo menos 1 hora até arranjarmos um lugar a mais de 1km do restaurante a que nos dirigimos. E assim que saímos para procurar a desejada refeição somos assaltados e espancados. Como nos levaram a carteira, não temos escolha se não levantar-nos e caminhar de volta para o carro, a sangrar, apenas para descobrir que o carro foi roubado.

Um mês depois, já recuperado, tivemos tempo para pensar bem naquela fatídica noite e chegar a conclusão que sair a noite em Lisboa é uma má ideia e nunca mais deve repetir.
Mas para ver o Indiana Jones estava pronto para pronto a entrar no espírito aventureiro. Portanto, depois de assinar o testamento, só faltava alugar um carro. A coisa começou mal quando o jovem por detrás do balcão identificou o carro como "o cinzento do outro lado da rua" - um homem a identificar um carro pela cor? Estranho. Antes de continuar devo dizer que sou capaz de identificar um carro à noite apenas pelo formato das luzes ...e mesmo à luz da tarde e a menos de 1 metro do carro, não sabia o que tinha acabado de alugar! Só depois de dar a volta à traseira trouxe a resposta pretendida em duas partes: "Nissan" e "Tiida".
A primeira impressão, consigo ver de onde foram buscar o nome - aparenta ter sido construido de caixas de Ti(i)de - o primeiro carro patrocinado por um detergente de roupa. Desculpem não ter fotos próprias, mas o meu telemóvel não tira fotos.


E como era o Tiida? Sinceramente, como qualquer outro carro japonês. Parece japonês, conduz-se como japonês. Que não é mau.
Mas tal como o Almera que veio substituir é terrivelmente aborrecido - parece apenas mais um carro. Estou a escrever isto uma semana depois de conduzir o carro e não consigo recordar grandes detalhes do carro. Era um carro? Ou era um frigorífico?

O interior é espaçoso. Mesmo o passageiro que se sentasse atrás de mim e dos meus 1,84metros estaria confortável e com bastante espaço para as pernas. Particularmente, os bancos tipo sofá, conseguem ser mais confortáveis que os meus sofás. O banco traseiro é também confortável e espaçoso para outras actividades nocturnas...

Apesar de existir um versão com o excelente 1,5 DCI da Renault, saiu-me o 1,6 litros gasolina com 110 cavalos. Que até parece bastante, mas sinceramente os 110 cavalos eram mais timidos que se esperava e desejava. Mesmo assim, mexia-se bem e as suspenções lidaram muito bem com as picadas que a Camara Municipal de Lisboa teima em chamar estradas. Pessoal que tenha sido operado a uma hemorroide e tenha que conduzir com uma daquelas almofadas tipo donut, este carro é perfeito para voçes.
E aí atingiu-me: este é exactamente o tipo de carro a usar para levar os amigos a jantar em Lisboa. É suficientemente grande, seguro e confortavel para levar a familia ou amigos a jantar fora, mas tão inocuo e aborrecido que ninguem se lembra de o roubar.

3 comentários:

  • Pedro says:
    18 de junho de 2008 às 18:13

    Viver numa grande cidade é cada vez mais perigoso :S Cá em Guimarães de vez em quando vê-se nos jornais, um carjacking e assaltos a bombas de gasolina... daqui a pouco uma pessoa já não poder dar uma volta á noite por não se sentir seguro.
    O meu primo também foi alvo de carjacking, era tarde, ele vinha a ouvir musica no MP3, ñ deu por ela e apareçeram-lhe dois "macacos" por trás de navalha, resultado... o Bonito, Lindo, Maquinão do Civic Sport preto (2 portas)(geração anterior foi á vida)... e quando o meu primo o recuperou estava batido e no meio do monte...

    Cumprimentos de Guimarães TURBO-LENTO

  • ze says:
    18 de junho de 2008 às 23:20

    É por essas e por outras que ando com carros velhos. E realmente dizem para as pessoas ficarem descansadas mas eu já vi 5 pretos a roubar um carro mesmo atrás de mim e fiquei chocado, mas com a reacção da policia que é, basicamente, nenhuma! Já para passar multas e bloquear carros é um instante...

    E para acabar de dizer que um dia em que me perdi em lisboa dei comigo num cruzamento com um homem de pistola, a correr, aos tiros a uma carrinha.

    No entanto vendem-nos a ideia que está tudo bem!

  • Obturador says:
    19 de junho de 2008 às 13:07

    Um colega meu tem um TIIDA 1.5 dci
    Há 2 aspectos sofríveis no carro, a estética e a posição de condução (o volante não é regulável em profundidade). De resto considero-o escelente. O motor de 105 cv com caixa de 6 velocidades cumpre lindamente, apesar de algo alto e de uns pneus com perfil generoso, curva muito bem graças a um sistema de suspensão que evita o adornar da carroçaria.
    Equipamento nem falo...rádio mp3 com carregador de 6 cds e kit bluetooth, keyless, sensores de chuva e luz, abs, esp, estofos em pele e tecido, cruise control, ...enfim uma panóplia de gadgets. A habitabilidade é a maior do segmento (superior à de um Passt) e tem um sistema que permite reduzir o espaço para peras atrás em 20 cms, para os agnhar na mala (o banco traseiro corre 20 cms numa calha). Custa 24000 eur e quem quiser um de serviço pode levantá-lo com 10000 kms por 22000
    TIIDA é que está a dar!