Salão de Paris 2016 - uma visita

Tive a sorte, o privilegio, de voltar ao salão de Paris e não desapontou. Já o disse uma vez, digo-o de novo: se gosta de automóveis tem que pelo menos uma vez visitar um grande salão automóvel - Genebra, Paris ou Frankfurt. Escolha um, arranje companhia e vá - não se vai arrepender.
Para o ano quem sabe arrisco Frankfurt, mas isso é outra aventura. Para já ficam abaixo as minhas impressões do salão automóvel de Paris.

SUVs para todos!
Duas febres grassam atualmente a França: Sarkozy está de volta na corrida presidencial e SUVs. Com a exceção da Ferrari e Alfa Romeo todos tinham pelo menos um SUV. A sério - até encontrei um pequeno construtor francês que produz um Mini Moke elétrico!
Tivemos suvs pequenos (Suzuki e o Kia Soul), suvs médios (Renault Koleos, Audi Q5, Seat Ateca, Peugeot 3008 e 5008, Skoda Kodiaq), suvs ENORMES (Discovery 5), suvs difíceis na vista (Ssangyongs), suvs elétricos (o concept Mercedes), suvs hibridos (Lexus UX e Toyota C-HR) e suvs rápidos (Mercedes-AMG GLC 43). 
 
E sabem que mais? Vem aí o salão de Los Angeles portanto podemos esperar ainda mais SUVs para breve!

As 2 grandes estrelas do salão no reino dos SUVs foram as 2 estreias da Peugeot: o arrojado 3008 e o mais familiar 5008 - estive no salão 2 dias e o expositor da Peugeot estava sempre cheio.

A Renault trouxe (na ultima semana?!) o novo Koleos maior e mais luxuoso, bem como o Dacia Duster agora com caixa EDC.

Os alemães trouxeram bastantes novidades - a Audi trouxe o recentemente apresentado Q2 e o crucial Q5 (afinal o automóvel que mais vende em todo o mundo), a BMW continua a sua demanda de preencher todos os nichos e apresentou o concept X2 que basicamente anuncia a versão coupé do X1 e para terminar a Mercedes trouxe um concept chamado Generation EQ que anuncia a gama elétrica da marca que deverá arrancar com um SUV.
A Land-Rover trouxe-nos a 5ª geração do Discovery capaz de transportar 7 passageiros, o mesmo número de passageiros que o novo Skoda Kodiaq consegue transportar. 

A Seat, utilizando a mesma plataforma do Kodiaq mas em versão curta, trouxe o novo Ateca e uma versão "prototipo" mais arrojada designada Xperience (que basicamente anuncia a linha de acessórios para o Ateca).

As marcas asiáticas também trouxeram muitos SUVs a Paris - a Toyota apresentou o novo C-HR e anunciou para breve a variante Lexus com o concept UX. 

A Ssangyong (sim, ainda andam por cá) trouxe o concept LIV2 que anuncia o substituto do Rexton e a Mitsubishi o (mais um) concept GT-PHEV hibrido plug-in. A Kia trouxe o atualizado Soul, Niro e Sportage e a Hyundai trouxe não só os atuais Tucson e Santa Fé, como também trouxe o ix35 Fuel Cell movido a hidrogénio.


Citadinos continuam a brilhar em Paris
Apesar da avalanche de SUVs tivemos 2 citadinos bastante interessantes no salão de Paris - o novo Citroen C3 e o novo Nissan Micra. O novo C3 é a continuação do reinventar da Citroen iniciado com o C4 Cactus - oferece conforto, conetividade e inúmeras possibilidade de personalização como todos os outros mas é diferente e interessante como o C4 Cactus. E tem Airbumps!
Já o novo Nissan Micra, desenhado e construido na Europa para a Europa, é tudo o que o anterior não foi: atraente, mordaz e moderno. 
Só falta mesmo descobrir se se comporta na estrada.


Ausências notórias
Várias foram as ausências em Paris: Ford, Volvo, Mazda Lotus e McLaren não apareceram e a Aston Martin apenas emprestou um DB11 para o expositor da Bridgstone. As marcas de luxo do grupo VW (Bentley, Lamborghini ou Bugatti) não estiveram no salão mas fizeram uma "soirée" exclusiva na fundação Louis Vuitton com os mais recentes Lamborghini Centenario Roadster e Bugatti Chiron.

As razões para a ausência varia - o grupo VW cortou nas presenças para pagar o dieselgate, as marcas desportivas inglesas (Lotus, McLaren e Aston Martin) não tem os fundos necessários, mas é difícil de compreender a Ford e Mazda: este ano cerca de 1,1 milhões de pessoas visitaram o salão de Paris (o que é menos que em 2014 que conseguiu ter 1,25 milhões de visitantes mas mesmo assim é uma multidão) e segundo a Renault estavam a fechar (em média) a encomenda de um automóvel novo a cada 6 minutos. Não faz sentido as marcas generalistas faltarem a este salão, se não pelas vendas pelo contacto com os clientes.
Mas não foram apenas marcas que não apareceram, foram também alguns modelos que apesar de já apresentados não vieram a Paris: a Mercedes já apresentou o AMG-GT Roadster, a Jeep acabou de apresentar o novo Compass no Brasil e a BMW o novo Serie 5 mas não se deram ao trabalho de os trazer a Paris. A Renault só na ultima semana do salão é que se lembrou que se esqueceu de colocar o novo Koleos no expositor. Já os novos Mini Countryman e Alfa Romeo Stelvio já estão prontos mas as marcas resolveram guardar alguma coisa para o salão de Los Angeles.


Novidades desportivas em Paris
Infelizmente muitas das mais icónicas marcas desportivas não vieram a Paris este ano: Aston Martin, Lamborghini, McLaren, Lotus não estiveram presentes e a Renault não trouxe o novo Alpine A120. Ok...para ser exacto, o novo Aston Martin DB11 esteve no salão, mas estava no expositor da Bridgestone.

Mesmo assim tivemos algumas novidades capazes de acelerar o pulso - a Ferrari trouxe o GTC4Lusso T e o "tão exclusivo que já foram todos vendidos" LaFerrari Aperta, a Porsche trouxe todas as variantes do novo Panamera e os franceses apresentaram 2 concepts desportivos: a Renault trouxe o Trezor e a DS o magnifico e-Tense.

A Audi também não desapontou e trouxe vários novos modelos desportivos para o seu expositor: o R8 Spyder, RS3 sedan, S5 Coupé e S5 Sportback. O stand da Honda tinha vários modelos expostos mas 2 deles roubavam toda a atenção: o futuro Civic Type R e o novo NSX. Sim, ouvi falar que o novo Honda Civic 5 portas estava lá mas sinceramente não o vi.
A Hyundai surpreendeu com os espetaculares concepts RN30 e Genesis New York, e a Alfa Romeo convenceu com o Giulia Veloce. A Mini trouxe o Clubman JCW para as famílias com estilo mais apressadas e Maserati deu um ligeiro restyling ao Ghibli.


Novidades verdes em Paris
Apesar de ainda continuarem a ser um nicho o salão automóvel de Paris teve inúmeras novidades no que diz respeito a veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in. Foi também curioso ver uma tendência no segmento dos híbridos.

O salão francês serviu de palco para o anuncio da Volkswagen e Mercedes de que vão criar uma gama especifica de automóveis 100 % elétricos. Para esse fim a Mercedes apresentou o concept Génération EQ sem dar grandes detalhes de quando chegará à estrada, já a VW apresentou o concept I.D. e precisou que chegará à produção em série em 2020. 
Já disponíveis para venda a Smart trouxe os novos Smart Fortwo e Forfour ED que fizeram bastante furor, a Renault atualizou o Renault Zoé com uma nova bateria que promete uma autonomia real de 300 quilómetros ao que a Opel respondeu com o seu Ampera-e que consegue ultrapassar a barreira dos 400 quilómetros. 
Ainda nos elétricos a Hyundai trouxe a versão 100% elétrica do Ioniq que tive hipótese de ensaiar em Paris juntamente com o Kia Soul EV.
Mas foi nos híbridos que notei uma tendência interessante - cada vez mais as marcas apostam nos híbridos plug-in e abandonam híbridos clássicos. 

Com exceção da Toyota e dos Kia Niro/Hyundai Ioniq híbrido todos os restantes eram híbridos plug-in: a Mercedes, BMW, Volkswagen e Audi tiveram lá toda a sua gama híbrida, a Porsche trouxe a nova geração do seu sistema no Panamera 4 E-Hybrid antes de chegar à restante gama, o Kia Optima, Hyundai Ioniq e outras marcas anunciaram os seus sistemas para breve como a PSA com o concept CXperience ou Mitsubishi com o GT-PHEV. A Toyota trouxe o novo Prius Plug-in mas parece não decidida na tecnologia, afinal trouxe o novo C-HR com o motor do Prius clássico. Terá o híbrido clássico futuro? Sim e não...

Curiosamente parte da resposta veio do expositor da Renault em que demonstrava o seu sistema Electric Assist já disponível com o 1.5 dCi na nova Scenic.

É o primeiro híbrido em linha diesel, mas usando uma bateria de baixa capacidade e um motor elétrico mais pequeno não permite rolar em modo 100% elétrico mas ajuda nas acelerações reduzindo os consumos e emissões. No futuro próximo vamos ver nos segmentos mais baixos estes sistemas híbridos mais pequenos, mais simples e mais baratos, mas a partir de um certo segmento os híbridos plug-in vão ser a norma.

Ainda dentro dos "modelos verdes" 2 modelos interessantes estiveram expostos: o Hyundai ix35 Fuel Cell e o Toyota Mirai, ambos movidos por uma pilha de energia a hidrogénio. 
Era impressionante como estes automóveis movidos a tecnologia que literalmente levou o homem à lua, estão agora na estrada - e tirando alguns autocolantes pareciam automóveis perfeitamente "comuns".
 

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