Ponto de situação Dieselgate 16-05-2016

Mais desenvolvimentos do dieselgate by Volkswagen mas também da Mitsubishi, Opel, Ford e Nissan - como de costume sem tretas, conservantes ou adoçantes acrescentados.

Ministro alemão pede pressão de outros países para recolhas 
O jornal alemão Sueddeutsche Zeitung noticia que o ministro alemão dos transportes Alexander Dobrindt pediu aos construtores e autoridades europeias de homologação automóvel que ajudem a Alemanha (e a Europa) a controlar as emissões de automoveis diesel. 

Como escrevi antes a KBA alemã esteve a testar vários automóveis de marcas nacionais e estrangeiras, e encontrou vários automóveis a produzir emissões excessivas. A KBA conseguiu convencer os construtores alemães a recolher e melhorar as emissões deste automóveis mas não consegue fazer o mesmo para automóveis homologados por outros países daí que precisa da colaboração destes organismos nacionais para tentar forçar a melhoria das emissões. 
E deixam um aviso - se as autoridades nacionais não colaborarem a KBA irá tornar públicos todos os resultados que tem. Ou seja, parece que a KBA encontrou algo mais que não quer tornar publico porque poderá manchar a reputação dos governos/organismos certificadores.


Opel e Fiat em sarilhos? 
Ficando um pouco mais com o ministro dos transportes alemães, este convocou a Opel para testemunhar perante um quadro de investigação depois do jornal alemão Der Spiegel ter acusado a marca alemã de batota nas emissões do Astra: segundo o jornal o Astra desliga o tratamento de emissões quando a temperatura exterior é inferior a 17ºC ou quando em aceleração
A Fiat também foi convocada - provavelmente por conta das acusações feitas sobre o 500X.


Ford "limpa" diesel na Europa 
A Ford vai acompanhar a industria e começar a mudar a tecnologia de limpeza de emissões nos seus motores diesel - o novo 2 litros EcoBlue diesel utilizará um sistema "Selective Catalytic Reduction (SCR)" para reduzir emissões de óxidos de azoto. Um sistema que precisa do tal AdBlue, mais caro e mais difícil de integrar mas capaz de reduzir as emissões de óxidos de azoto em 90%. A Ford ainda usa os menos eficazes sistemas "Lean NOx Trap (LNT)" nos seus diesel e este 2 litros EcoBlue irá substituir o actual 2.0 litros TDCI, com uma versão de 1.5 litros a chegar em 2017 que poderá usar sistemas LNT e SCR. A Ford ira continuar a usar o LNT nos pequenos diesel até que as regras assim o impeçam.


Reparação V6 de 3 litros TDI em vista 
Segundo a Bloomberg a Volkswagen está quase a terminar uma proposta de reparação para os V6 de 3 litros TDI (usado nos Audi A6, A7, A8, Q5 e Q7 bem como nos Porsche Cayenne e Volkswagen Touareg) nos EUA para corrigir o problema das emissões. Será principalmente uma atualização de software mas é possível que também inclua um novo catalisador. A reparação destes motores tem sido colocada em segundo plano com as autoridades americanas a preferirem tratar primeiro dos 2 litros TDI - apesar do pré-acordo recentemente conseguido, a VW tem até 21 de Junho para fechar o acordo.


Nissan adquire 34% da Mitsubishi Motors 
Mas a maior noticia talvez tenha sido que a Nissan vai adquirir 34% da Mitsubishi Motors tornando-se no maior acionista da empresa. A Nissan poderá definir 4 diretores para a direção da Mitsubishi e até diretor geral. Além da Nissan, outras empresas do grupo Mitsubishi junta (Mitsubishi Heavy, Mitsubishi Corp e o Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ) detêm também cerca de 34% da Mitsubishi Motors mas a lei japonesa diz que um acionista com um terço das ações tem poder de veto suficiente para bloquear as decisões da direção, logo isto promete. 

Curioso que tenha sido a Nissan a apanhar e obrigar a Mitsubishi a admitir que falsificava os resultados das homologações das emissões, e agora vem comprar a Mitsubishi salvando-a provavelmente de uma morte lenta - quer o valor das ações da Mitsubishi Motors quer as vendas no Japão já caíram 50% desde que o escândalo começou. O CEO da Nissan-Renault Carlos Ghosn diz que esta nova aliança cobrirá compras, plataformas comuns, produção conjunta e desenvolvimento de tecnologias. 

A vantagem para a Mitsubishi são duas - já um pouco debil, o escândalo das emissões veio complicar muito a vida e a Nissan é agora uma fonte de dinheiro para manter a Mitsubishi à tona. Dá também à marca acesso a tecnologia da Nissan e Renault permitindo reformar o muito fraco catálogo de produtos. Já a Nissan aproveita a vasta rede da Mitsubishi no sudeste asiático onde a Nissan não consegue cingrar. 
Salva também o seu fornecedor de pequenos carros para o Japão: este segmento representa 40% das vendas locais mas a Nissan não produz nenhum carro deste segmento - em 2010 fez uma aliança com a Mitsubishi e são eles que os produzem. 

A ultima grande vantagem é que temos unidas 3 marcas que estão a apostar em grande na eletrificação das suas gamas: a Renault, Nissan e a Mitsubishi.


Mitsubishi admite valores errados em todos os seus automóveis no Japão 
E isto continua a crescer - primeiro eram apenas alguns kei cars, depois já eram automóveis produzidos desde 1991 e agora admitem que afinal pode afectar todos os automóveis vendidos no Japão - mas apenas no Japão, não no resto do mundo aparentemente.

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