Mary Barra CEO da GM defende não ter airbags

Em Novembro do ano passado o LatinNCAP (a versão da america latina do nosso EuroNCAP) publicou o primeiro ranking comparativo dos construtores automóveis que operam na América Latina e sem grandes surpresas as marcas chinesas são as piores mas imediatamente acima tínhamos a GM - o 3º maior construtor automóvel do mundo a construir automóveis que oferecem quase nenhuma proteção dos ocupantes, em particular o Chevrolet Aveo que é o mais vendido no México e sem airbags há 10 anos no México.
Esses resultados, na opinião do LatinNCAP e até da minha, vergonhoso para um construtor mundial e o LatinNCAP bom como 4 grupos de defesa de consumidores (incluído a muito importante Consumer Reports americana) enviaram uma carta à CEO da GM Mary Barra a pedir que a multinacional deixa-se de vender automóveis sem airbags. Mary Barra respondeu a esse pedido em Davos e foi...interessante.
Mary Barra defendeu a decisão da sua empresa, que não faz intenção de mudar, porque segundo ela os compradores podem adicionar como extra e porque incluir o airbag significaria que o automóvel ficaria menos acessivel. Aseguir disse que se os padrões de segurança fossem globais tornaria a tecnologia de segurança mais barata e assim chegaria a todos os automóveis. 

De um ponto de vista até tem razão, pobreza é um problema maior que segurança na estrada e acesso a transportes é algo provado que ajuda a escapar à pobreza. Mas por outro lado...ESTÁS A BRINCAR MARIA?! 

Ainda há poucos dias a GM gabava-se de lucros recorde e vem defender-se com a ideia de "padrões mundiais" que sabe perfeitamente que nunca vão acontecer porque os construtores automóveis pressionam os governos para assegurar que isso não acontece!! A GM podia tomar a iniciativa de incluir os airbags, ao encomendar mais airbags ficam mais baratos à unidade e divide o custo com o cliente. Mas infelizmente até isso é demais para General Motors. 

Infelizmente parece os americanos não aprenderem nada com o Ford Pinto, o primeiro compacto da Ford para o mercado americano. O problema é que (em 1977) foi provado que devido ao design estrutural do Pinto e péssima colocação do tanque de combustível era possível que num impacto de trás o tubo de abastecimento de combustível e o próprio tanque podia partir-se e incendiar-se. Foram atribuídas 27 mortes por incêndio ao Pinto. Neste assunto, Lee Iacocca disse "Safety doesn't sell" (Segurança não vende). Para ajudar a ilustrar ainda mais o "lado económico da vida humana" segunda a Ford do senhor Iacocca, na altura do julgamento uma revista publicou um memorando interno (que veio a ser chamado de "Ford Pinto Memo") - em que a Ford fez uma análise de custo-benefício entre reparar os Ford Pinto e pagar processos em tribunal dos acidentes. Pelos vistos na altura arranjar os carros custava 137 milhões (isto no campo de Costs/custos) e enquanto que pagar indemnizações de mortes, estropiados e queimados era de 49,5 milhões (isto na categoria de Benefits/Benefícios). 

Hoje Mary Barra e a GM fizeram a mesma conta - colocar airbags nos seus automóveis sai mais caro que provavelmente pagar uma indemnização pela morte de alguém num pais em desenvolvimento. A única coisa que mudou do Ford Pinto em 1977 para o Chevrolet Aveo em 2015, além da marca, aparentemente nada.

Numa nota pessoal, procuro trocar de automóvel para a família este ano e creio que estou um pouco enojado com a posição da GM.

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