[update]Volkswagen apanhada a mentir nos EUA

O ditado diz que "é mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo" e a Volkswagen acabou de ser apanhada em grande nos EUA.
Para melhor perceber o que se passa creio que o melhor é começar pelo inicio, e esta historia começa em 2014.
Em Maio de 2014 o centro para combustíveis alternativos, motores e emissões da West Virginia University publicou um estudo em que detectou num VW Jetta de 2012 e um Passat de 2013 emissões muito acima das homologadas.

Com base nesse estudo a EPA e CARB abordaram a VW que disse que essas emissões só se podiam explicar por problemas técnicos e condições de utilização imprevistas e rapidamente ofereceu-se para recolher os automóveis para tratar do problema - a recolha decorreu em Dezembro 2014.

Mas apesar da recolha, a EPA e CARB detectaram apenas melhorias marginais, uma grande diferença entre os testes em laboratório e na vida real, e porque é que a electrónica que geria o motor não detectava o problema - e as explicações da VW não batiam certo. 

Só quando a EPA e CARB ameaçaram não homologar o modelo 2016 do Passat diesel é que esta admitiu que fez batota: instalou na ECU de 482.000 motores diesel um algoritmo que detectava se o automóvel estava a ser testado para emissões (os circuitos de homologação seguem um protocolo muito específico) e alterava vários parâmetros para limpar as emissões durante o teste.
Quando activado este modo de segurança reduzia as emissões de óxidos de azoto, mas em condições normais (com a batota desligada) o motor emitia mais de 40 vezes mais óxidos de azoto.
O mais certo é que esta batota coloca em risco a fiabilidade do motor daí que só podia ser usada durante um curto intervalo de tempo.

Este algoritmo foi instalado em 482.000 motores de 2 litros TDI instalados em Volkswagens e Audi de 2009 a 2015:
• VW Jetta, Beetle, Golf e Audi A3 modelos de 2009 a 15
• VW Passat modelo 2014 a 15

Ou seja, não só a Volkswagen foi apanhada a fazer batota nos testes como mentiu aos organismos oficiais americanos e eles não costumam gostar disso - que o diga a Toyota que pagou 1.2 mil milhões de dólares por ter feito o mesmo com os celebres aceleradores defeituosos.

A investigação esta a decorrer, mas podemos esperar sérios problemas para a Volkswagen - que uma avultada multa é talvez o menor dos seus problemas (pode chegar a 18 mil milhões de dólares).

Sim, também pode haver acusações criminais mas essa também não é importante. A marca investiu dinheiro e esforço em publicitar os seus motores diesel que eram os mais limpos, os Audi de Le Mans corriam com a frase "Clean diesel", ganharam vários prémios - mas afinal era tudo mentira. Com que cara é que a Volkswagen ou qualquer marca do grupo ira agora tentar defender as credenciais verdes da marca sem ser alvo de chacota?
A frase "Truth in engineering" ou "a verdade na engenharia" afinal  quer dizer que "engenharia de criar verdade alternativas" - algo que José Socrates era fã, afinal era engenheiro...

Creio que o pior em toda esta situação é que a VW achava que era capaz de escapar sem ser apanhado: com tantos laboratórios e centros de estudo a testarem automóveis e a crescente pressão sobre as emissões automóveis a Volkswagen achava mesmo que ninguém iria notar uma diferença de 40 vezes em emissões?!

E será só nos EUA que a Volkswagen pratica este truque? E aqui na Europa? Será que mais construtores recorrem a este truque?

update 21-09-2015
Quando escrevi este post fiquei com a dúvida de porque é que só este motor de 2 litros TDI tinha esta batota instalada, afinal o grupo VW tem motores maiores (logo supostamente mais poluentes) nos EUA. Pelos vistos este motor é instalado nos modelos mais pequenos com catalisador normal quando todos os outros usam injeção de ureia (o adblue) para limpar as emissões.

Também achei estranho como é que um truque de software podia reduzir tanto as emissões (40% em óxidos de azoto) - afinal o organismo da Califórnia que controla as emissões não se dá ao trabalho de enfiar uma sonda no escape dos automóveis, apenas ligam uma ferramenta de diagnóstico na tomada OBD-II e usam os sensores do automóvel: que no caso destes motores estavam a enviar valores falsos.

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