[update videos]Toyota Mirai - o futuro?

Cheguei muito perto do Toyota Mirai no salão automovel de Paris (ainda como concept), mas alguns sortudos (incluindo o pessoal do Auto Guide cujo vídeo incluo abaixo) tiveram a hipótese de conduzir (segundo a minha modesta opinião) "o futuro". Mais depois do vídeo.

E porque é que acho que os FCV, Fuel Cell Vehicle, são o futuro? Porque combina o melhor de ambos os mundos "clássico" e "eléctrico": o petróleo irá mais cedo ou mais tarde acabar e o eléctrico é muito mais eficiente e amiga do ambiente, se bem que as baterias limitam (em autonomia e tempo de carga) excessivamente a sua adopção. Aí entram os FCV's que são eléctricos emitindo apenas água e são abastecidos em menos de 5 minutos como um automóvel comum - única diferença é que usam hidrogénio e cada tanque permite, no caso do Mirai cerca de 490 quilómetros de autonomia. 

E porque é que devemos ficar de olho neste Toyota Mirai? Bem, há uns anos atrás a Toyota apresentou o primeiro Prius e na altura poucos ligaram a esse estranho automóvel e todos sabemos como isso correu. 
Será o Mirai (japonês para Futuro), tal como o Prius (japonês para "ir antes"), o começo de algo novo? 

- Não tão diferente
Para todos os efeitos o Mirai é como um outro automóvel qualquer - tem uma autonomia de 490 quilómetros, é abastecido numa bomba em 5 minutos. A única grande diferença é que usa hidrogénio e não gasolina. O hidrogénio é armazenado a 10.000psi em 2 tanques e depois passa pela célula de combustível que converte o hidrogénio comprimido em electricidade, recirculando a água produzida para preservar as membranas. A electricidade produzida é armazenada numa bateria de níquel que depois alimenta o motor eléctrico que move as rodas dianteiras. 

Basicamente todo este sistema FCV é uma bateria - a única diferença é que este Mirai usa hidrogénio e nas baterias como as do meu Twizy é uma reacção electroquimica que produz a electricidade para alimentar o motor eléctrico. Mas o pormenor é que uma bateria capaz de 490 quilómetros reais de autonomia seria grande, cara e pesada demais para um automóvel - este Mirai pesa 1850 quilogramas o que são menos 150 quilos que um Toyota Camry híbrido. 

- Preço 
Sim, é caro mas muito menos que a geração anterior de FCV's e o custo só pode descer. A Toyota conseguiu reduzir os custos de produção - adoptaram muitos dos sistemas e bateria dos actuais híbridos da marca, criaram um novo conversor que triplica a voltagem do sistema (reduz peso e custo) e reduziram ao máximo a quantidade dos catalizadores (platina por exemplo). 

- Infra-estructura
Mas apesar de todas as vantagens e desenvolvimentos o principal problema mantém-se: não há estações de abastecimento, cadeia de distribuição do combustível e o eterno problema de obter o hidrogénio. É que apesar de ser o elemento mais comum no universo está quase sempre associado a outro elemento químico. Actualmente muito do hidrogenio vem de combustiveis fosseis o que anula as vantagens ecológicas.  Essa questão ainda está em aberto portanto...

Relativamente à questão da rede de abastecimento a Toyota e a Air Liquide vão instalar até 2016 bombas de abastecimento nos estados de Connecticut, Massachusetts, Nova Jersey, Nova York e Rhode Island criando uma ligação entre Nova York e Boston. A Toyota já esta a investir numa rede de abastecimento na Califórnia e terá até fim 2015 20 postos de abastecimento e 40 até 2016. Relativamente à Europa:
- a Alemanha tem 15, planeia ter 50 até 2015 e 1000 em 2020. 
- o Japão tem 17 e espera ter 100 até 2016. 
- a Coreia do Sul planeia ter 160 até 2020. 
- o Reino Unido planeia ter 50 até algures em 2015 e 65 em 2020. 
- a Dinamarca planeia ter 15 até 2020. 

Mas o Mirai não ficara sozinho muito tempo - a Hyundai já comercializa na California o Tucson a hidrogénio, a BMW associou-se à Toyota para acederem à tecnologia do Mirai logo devem estar a preparar algo e a Honda deverá apresentar nos entretantos a versão final do FCEV concept (ou seja vão tirar a placa que diz "Protótipo") para substituir o FCX Clarity. Deste FCEV sabe-se que tem uma nova célula de combustível de 100 kW com uma densidade de 3.1 kW/L e segundo a Honda uma autonomia de 700 km. Mas enquanto a Honda planeia fazer o leasing do automóvel, a Toyota planeia vender ao cliente final. 

A questão é se é a altura certa para introduzir um automóvel com esta tecnologia e quanto tempo demorará "a vingar" - o Prius demorou cerca de 10 anos para se impor e tornar a tecnologia híbrida popular ao ponto que quase todos os construtores oferecem um híbrido nas suas gamas.

Update 18/12/2014

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