DieselGate - ponto de situação 20-03-2017

Há já algum tempo que não faço uma ponto de situação do dieselgate, e algumas noticias bem interessantes - como sempre sem tretas, conservantes ou adoçantes acrescentados.

CEO da Audi deixa a fundação da família Piech
O CEO da Audi Rupert Stadler continua debaixo de fogo e agora abandonou a sua posição na fundação da família Piech (Ferdinand Karl Beta Privatstiftung e Ferdinand Karl Alpha Privatstiftung). Stadler era um aliado, pessoa de confiança e anterior chefe de pessoal (de 1997 a 2002 quando Piech era CEO do Grupo VW) de Ferdinand Piech.
Stadler, que já esta apertado por ter sido lento a reagir ao envolvimento da Audi no Dieselgate, deve ter sido espremido para escolher entre a direcção da Audi e a sua ligação a Piech que desde que este abriu a boca tem sido um perigo para o grupo.


Itália não encontra dispositivos suspeitos em veículos diesel
Quem segue o dieselgate aqui no 4rodas1volante devem recordar que as autoridades italianas permitiram que automóveis da Fiat Chrysler não tivessem que passar certos testes! Basicamente fizeram batota! Na altura eles testaram automóveis diesel da BMW, Ford, Mercedes, Volkswagen, Opel e Fiat mas para 3 de 7 modelos da Fiat (Jeep Cherokee 2.0 litros, Alfa Romeo Giulietta 1.6 litros e o Lancia Ypsilon 1.3 litros) os italianos não efetuaram 3 protocolos chave: medições na estrada, versão inversa do protocolo NEDC e o teste Artemis para condução em cidade. Além disso permitiram que modelos da Fiat fossem testados nos laboratórios da Fiat com supervisão de oficiais do ministério enquanto todos os outros foram testados num laboratório independente do Istituto Motori.

Os italianos voltaram a repetir os testes nos diesel Euro-5 e dizem que não encontraram quaisquer dispositivos de falsificação de emissões. Mas tendo em conta a atitude dos italianos serão estes testes de confiança? A união europeia fazia bem em os repetir noutras instalações FORA de Itália.


Piech procura vender parte na Porsche SE
Continuando com Ferdinand Piech segundo o Bild am Sonntag noticia que Piech está em negociações para despachar a sua parte na Porsche SE. A Porsche SE é o grupo através do qual as famílias Porsche e Piech controlam o grupo Volkswagen e estas negociações dizem respeito a 14.7% da Porsche SE no valor de mil milhões de euros - que devem passar para outros membros da família. Ou seja, podemos ter uma mudança na empresa que controla a Volkswagen.


Escritórios e fábricas da Audi revistados por autoridades
Procuradorias alemãs "visitaram" pela primeira vez fabricas e escritórios da Audi - estranho ser só agora já que há quase um ano que se sabe que foi dentro da Audi que nasceu o tal software no epicentro do dieselgate...mas como se diz, mais vale tarde que nunca - uma acção conjunta das procuradorias da Bavaria, Baden-Wuerttemberg e Baixa Saxónia...no dia em que a Audi tinha a sua reunião anual em que apresentava os seus resultados de 2016 aos accionistas e jornalistas! Ouch! Foram visitadas as 2 maiores fábricas da Audi (Ingolstadt e Neckarsulm) e 6 outras instalações não especificadas.

Mas o mais interessante é que nessas "6 outras instalações não especificadas pela procuradoria" estavam aparentemente os escritórios da empresa de advogados Jones Day que a Volkswagen contratou para fazer a sua própria investigação interna!

Confesso que é uma ideia maquiavélica - a procuradoria alemã foi revistar e muito provavelmente confiscar documentação da investigação interna do grupo VW que começou em Setembro de 2015. A Volkswagen nunca publicou o relatório completo da investigação interna e apenas disponibilizou um resumo aos americanos - os alemães parecem ter-se fartado de esperar e foram buscar uma copia própria. Mas há aqui uma questão interessante que pode ter 2 desfechos - o privilégio advogado-cliente. É que há a pergunta se ele existe entre a Jones Day e o grupo VW - a empresa de advocacia não foi contratada para representar o grupo alemão em tribunal, foi contratada para fazer uma auditoria e investigação interna. A resposta pode validar o apropriar da informação pela procuradoria alemã e isso pode ser é um grande grande problema para a VW, mas se se vier a confirmar que a procuradoria alemã pisou o risco toda a investigação à Volkswagen pelo estado alemão poderá ter ido ao ar.


Renault em sarilhos?
Um artigo do jornal Liberation (que cita o relatório de Novembro da agência francesa de fraude ao consumidor DGCCRF que depois deu inicio a uma investigação pela procuradoria) diz que encontrou possíveis violações da lei francesa por parte da Renault e que havia conhecimento da marca, incluindo Carlos Ghosn.

Este artigo acusa a Renault de falsear os testes de emissões num período de 25 anos, e supostamente com conhecimento do CEO Carlos Ghosn. As autoridades francesas terão apanhado o atual Captur e Clio a emitirem até 300 vezes mais óxidos de azoto em condições de estrada relativamente aos testes em laboratório.

O relatório da DGCCRF referido pelo jornal Liberation diz que Ghosn e outros executivos estariam provavelmente conhecedores do falseamento. A agência diz que não há uma cadeia de comando estabelecida ou delegação de poderes relativamente à aprovação de sistemas e estratégias de controlo de motores, sendo portanto responsabilizável por problemas legais deste tipo.

A Renault, e outros construtores, tem dito que usam dispositivos previstos na lei europeia para proteção do motor. No caso da Renault esta diz que encontrou problemas de turbos a entupirem em alguns dos seus motores e para resolver o problema os engenheiros basicamente desligam os sistemas de proteção ambiental quando a temperatura está fora do intervalo de 17 a 35º centígrados. Ou seja, os sistemas estavam ligados durante os testes de homologação mas basicamente desligados todo o resto do tempo útil. A Renault diz ser para proteção do motor mas um painel técnico diz que isso não conseguiu ser provado. A marca francesa diz o artigo não é realista e que está em cumprimento da lei europeia.


Opel fora de sarilhos em França
Se a Renault está a ser apertada pelo justiça francesa, a Opel está safa - a DGCCRF deu por encerrada a sua investigação aos automóveis da marca alemã sem quaisquer indícios de fraude detetados. O que significa que apenas a Fiat Chrysler, Renault e grupo PSA estão atualmente ainda sobre investigação pelas autoridades francesas.

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