DieselGate - ponto de situação 23-12-2016

Há já algum tempo que não atualizava a telenovela Dieselgate que continua sem fim à vista. E sempre sem tretas, conservantes ou adoçantes acrescentados aqui no 4Rodas1Volante.

Renault apertada
A ministra francesa do ambiente Segolene Royal disse aos parlamentares europeus que continua a investigação criminal as emissões diesel da VW e Renault com a possibilidade de proibir vendas em cima da mesa. Pelos vistos está a ser dada especial atenção ao software da ECU dos quais esperam resultados para breve. A Renault não comentou as declarações de Segolene Royal.

Se se recordam vários construtores foram usam software para desligar ou reduzir os sistemas de controlo ambiental (em particular as emissões do óxidos de azoto) quando o motor opera fora de um determinado intervalo de temperatura para proteger o motor - algo que é legal e está definido na lei. O problema é que a legislação europeia consegue ser um pouco vaga e muitos duvidam que seja eficaz para definir onde acaba o "uso legal" e começa a "ilegalidade". 

Mas a parte mais interessante é porque é que a legislação é vaga - foi pressão dos governos dos países com maiores industrias automóveis que diluíram as regras e que permitiram este "cinzento" na legislação. Não esquecer que as autoridades europeias foram avisadas antes das americanas sobre a disparidade nas emissões da VW mas nada aconteceu deste lado do Atlântico.


VW acusada de destruir provas
A Federal Trade Commission e Protecção do consumidor norte-americana estão a investigar se a VW terá destruído provas depois de informada que 23 telemóveis de funcionários chave do grupo alemão foram perdidos ou destruídos. Juntando isso ao facto que estas instituições acusam a VW de não responder a muitas das perguntas e começa a formar-se um forte caso para processos civis e criminais, sem falar na possibilidade inflacionar futuras multas e indemnizações.


Executivos VW contratam advogados criminais
E continuando no tema acima vários executivos da VW na Alemanha contrataram advogados de defesa criminais com a crescente pressão do Departamento de Justiça para juntar provas que possam ser usadas para casos criminais quer contra a empresa quer directamente contra indivíduos. 

Claro que ir atrás de elementos na Alemanha pode ser complicado já que a Alemanha não permite extradições para fora da União Europeia. No máximo poderia emitir mandados de captura via Interpol o que no máximo restringiria movimentos de alguns executivos - se saíssem da Europa poderiam ser presos e ai recambiados para os EUA.


Mercedes safa do dieselgate nos EUA
Quando o dieselgate explodiu nos EUA houve logo uma corrida a processar tudo e todos que tivessem qualquer tipo de ligação a este caso - neste caso como a Mercedes comercializava motores diesel BlueTec com ECU's da Bosch logo falsificava emissões logo processa-se. Neste caso o juiz Jose Linares nos EUA encerrou o caso porque os acusadores não apresentaram provas de que os veículos da Mercedes produziam emissões acima dos publicados e limites regulamentares. 

A Mercedes comercializa nos EUA os Classe E, Classe E, ML e GL com o 6 cilindros de 3 litros turbo diesel e 4 cilindros de 2.1 litros biturbo diesel BlueTec com injecção de ureia para limpar as emissões de óxidos de azoto.


Suiços abrem buracos no importador VW
A procuradoria Suiça visitou o importador da Volkswagen para recolha de provas depois de um tribunal ter ordenado que as autoridades suíças tinham que fazer a sua própria investigação ao dieselgate - até agora todas as provas e queixas crime registadas da Suiça estavam a ser passadas para a Alemanha. A AMAG está a colaborar com as autoridades Suíças.


Porsche sob investigação
As autoridades alemãs estão a investigar o envolvimento da Porsche no dieselgate, segundo o WirtschaftsWoche funcionários da marca terão informado as autoridades que a marca alemã usa um sistema que acciona um modo de baixas emissões se for usado bastante acelerador mas nenhuma alteração do volante/direcção. A Audi foi apanhada com um sistema semelhante em que as caixas automáticas entravam num modo especial de baixas emissões quando submetido a testes de emissões e levou à demissão do responsável de pesquisa e desenvolvimento da Audi Stefan Knirsch. 
Um porta-voz da Porsche já veio dizer que estão a colaborar com a investigação e que os seus automóveis não usa qualquer sistema de manipulação de emissões com base na direcção.


VW recebe luz verde final na Europa
O grupo Volkswagen recebeu da KBA luz verde para reparar todos os 9 milhões de veículos VW, Audi, Skoda e Seat afetados pelo dieselgate na Europa. Ou seja, todos os E189 com 1.2, 1.6 e 2 litros de capacidade podem seguir para a oficina oficial da marca mais próxima, infelizmente sem recolher qualquer compensação monetário como nos EUA e Canada. Os 1.2 e 2 litros recebem uma atualização de software enquanto o 1.6 recebe ainda um estabilizador de fluxo de ar na admissão ao motor.


VW aceita pagar até 1,6 mil milhões de dólares ao Canada
O grupo Volkswagen aceitou pagar até 2.1 mil milhões de dólares canadianos/1.5 mil milhões de euros para reparar ou comprar de volta 105.000 automóveis e compensar os seus proprietários. Também aceitou pagar quase 11 milhões de euros em custos administrativos e pagará despesas legais de proprietários. O acordo ainda terá que passar por 2 tribunais devendo receber a luz verde em Março.


Acordo no V6 TDI de 3 litros
A Volkswagen aceitou pagar 1 bilião de dólares para reparar ou comprar de volta cerca de 83.000 automóveis VW, Audi e Porsche de 2009 a 2016 equipados com o V6 de 3 litros TDI nos EUA - conta da VW nos tribunais americanos actualmente já vai em 17,5 biliões de dólares. Ainda em cima da mesa esta a possibilidade de mais alguns biliões dependendo de possíveis acusações criminais pelo departamento de justiça norte-americano.

Nestes 83.000 automóveis, temos 63.000 equipados com o motor de segunda geração que podem ser reparados, mas os restantes 20.000 produzidos entre 2009 e 2012 têm a 1ª geração do V6 TDI e o mais certo é serem comprados de volta pela marca e destruídos porque a reparação será cara demais. Há possibilidade de uma reparação parcial para reduzir a quantidade de emissões de NOx (mas ficam acima do valor legal) destes motores mas teria de ser aprovada pela EPA e CARB, algo muito difícil de acontecer (até agora não conseguiu com o 2 litros TDI). 

Também por decidir é a forma como a Volkswagen vai compensar estes clientes - afinal a anterior compensação era para compradores de Golfs, estes são Audi e Porsche.


Europa define novas regras para motores a gasolina
Os países da união europeia apoiaram medidas para reforçar os novos testes de emissões em estrada (que começam em 2017) que vão complementar os de laboratório, incluído o teste a partículas ultra-finas em motores a gasolina com injecção direta. Estas novas regras aplicam-se a novos modelos apartir de Setembro de 2017 e todos os automóveis novos apartir de Setembro de 2018. 

 Construtores automóveis e a ACEA (associação dos construtores automóveis) já vieram queixar-se que os construtores automóveis ficam com pouco tempo para implementar as novas regras e pediram o adiamento para 2019. O que é uma resposta de treta porque há muito falava sobre a necessidade de reduzir determinadas emissões.

As medidas foram aprovadas por representantes dos estados europeus em reunião regulatória. Na pratica todos os motores a gasolina com injeção dieta vão ter que usar filtros de partículas, mas atenção não são iguais ou tão fáceis de bloquear como os usados em diesel: não têm que atingir temperaturas tão elevadas ou regenerados com tanta frequência.

As novas regras também passam a incluir os arranques/funcionamento a frio (período em que os automóveis poluem mais) para forçar a redução de emissões em curtas deslocações em cidade e os construtores vão ter que disponibilizar informação completa das emissões aos consumidores.


Parlamento Europeu critica atrasos de novas regras
Segundo conclusões preliminares de uma investigação do parlamento europeu vários países europeus (incluindo Itália, França e Espanha) atrasaram a adopção de testes de emissões automóveis mais restritos apesar de todas as provas de que os atuais permitiam emissões acima dos limites legais. 

Citando o eurodeputado Gerben-Jan Gerbrandy em 2012 já havia provas mais que claras que algo de muito errado com as emissões diesel, e o dieselgate não teria acontecido se os governos nacionais e comissão europeia tivessem feito o seu trabalho. O relatório preliminar inclui a recomendação que a Comissão europeia tenha um único comissário para as politicas da qualidade de ar seja o mesmo para as fontes dos poluentes. 

A Comissão não comenta até o relatório final ser publicado, nos entretantos já iniciou ações legais contra 7 países por não controlarem de forma eficaz as emissões automóveis - afinal foram os americanos a descobrir...


União Europeia vai atrás da Alemanha e Reino Unido e outros
A Comissão Europeia iniciou acção legal contra Alemanha, Reino Unido e 5 outros países membros por não detectarem a falsificação de resultados de testes de emissões automóveis no que é claramente governos em concluiu com a industria automóvel. Estes países são também acusados de não aplicarem qualquer tipo de penalidade ao grupo Volkswagen pelas suas acções e em particular Alemanha e Reino Unido por não partilharem o que descobriram nas suas investigações. Mas não só estes países que deviam estar a ser apertados - quando a comissão europeia anteriormente questionou os países sobre como é que eles asseguram o cumprimento das regras de emissões automoveis 11 dos 28 países da União Europeia (incluindo Grã-Bretanha, França e Polónia) nem sequer responderam.

Para terem uma ideia do quanto os estados favorecem a industria automóvel na Republica Checa, que tem uma grande industria automóvel (Skoda, Hyundai, etc), não esta prevista na sua lei uma multa ou penalidade para esta situação - qualquer carro produzido é automaticamente homologado para a Europa mas se for apanhado a falsificar os testes de emissões não há consequências para o construtor! Grécia e Lituânia também têm o mesmo vazio legal - isto não é um acaso: os construtores automóveis homologam lá os seus automóveis evitando consequências se der asneira.

Este aviso é o primeiro passo do processo de não cumprimento, para tentar que os 28 países cumpram as normas acordadas entre todos. Há um período de 2 meses para responder e se a resposta não for convincente segue para tribunal europeu.

Infelizmente, apesar de ter sido apanhada com a boca na botija a industria automóvel não desiste e já conseguiu diluir as futuras regras previstas para a homologação de automóveis e continuam a pressionar governos para assegurar que nada mude. O que é interessante quando as comadres de chateiam como a Alemanha a pedir à Comissão Europeia que medie a disputa com a Itália porque acredita que a Fiat também está a usar dispositivos para falsear as emissões e quer que algo seja feito...quando ambos os países asseguraram-se que isso não podia acontecer.

Alem da legislação "enfraquecida" pelos países interessados, a União Europeia não tem uma autoridade como a EPA norte-americana porque países interessados não o permitem para policiar estas regras - cabe a cada pais fazer cumprir as regras e como disse acima muitos preferem satisfazer a industria automóvel do que proteger a saúde dos seus cidadãos, incluo múltiplos dos nossos eurodeputados neste grupo. Sim, os construtores automóveis têm que cumprir a lei, mas os estados têm que assegurar que estes cumprem para bem da saúde dos seus cidadãos.


Grupo Volkswagen corta 30.000 empregos
O grupo Volkswagen espera reduzir um total de 30.000 empregos (23.000 na Alemanha) via reformas e corte de trabalho temporário. Maior parte dos cortes vai ser em unidades fabris onde se produzem componentes para motores de combustão interna - a mudança para motores eléctricos requer menos componentes internos, para fabrico e montagem nos automóveis. Mas se trabalhos "tradicionais" são reduzidos, criam-se "postos mais avançados" como na produção de baterias, motorizações eléctricas e possível armazenagem de electricidade (tipo Tesla Wallbox). As fabricas de Wolfsburg e Zwickau vão produzir uma família de automóveis baseados na nova plataforma MEB.
Além da redução da força operária, vai também eliminar modelos com vendas baixas, reduzir a participação no desporto automóvel e reduzir investimentos em áreas com futuro alargado.

A VW espera que entre a redução de pessoal e outros programas de melhoria de eficiência consiga poupar aproximadamente 3,7 mil milhões de euros por ano até 2020.

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