[video corrigido]O legado de Ferruccio Lamborghini

Ferruccio Lamborghini nasceu em Cento, a 25 de Abril de 1916 (sob o signo de Zodíaco Touro, o qual adoptou para o seu Logótipo), filho de Antonio Lamborghini, proprietário de uma exploração agrícola na povoação de Renazzo, a norte da região de Bolonha (Itália).
Notabilizou-se no sector dos tractores agrícolas e automóveis desportivos de luxo, após um episódio de desrespeito por parte de Enzo Ferrari, a partir do qual decidiu criar a sua própria marca de automóveis; surgiu a empresa Automobili Lamborghini...


Depois de aprender a arte de trabalhar a terra (apesar da propriedade da família já ter um tractor…), aos 14 anos decidiu procurar emprego na área que lhe despertava mais interesse. E assim foi parar a Bolonha, onde arranjou emprego como aprendiz de mecânico na Casa Righi.
Para além da sua formação prática em mecânica, beneficiou ainda do tempo em que trabalhou em motorizações de veículos bélicos, quando em 1944, na condição de prisioneiro das forças militares britânicas, foi obrigado a trabalhar na qualidade de mecânico, conseguindo por fim acumular e atingir uma base preciosa de conhecimentos.
Com base na experiência adquirida, em 1949 construiu o primeiro tractor agrícola, equipado com um motor Morris da série 6C, de 40 cv, já com elevador hidráulico e outros requisitos de vanguarda para a época. O modelo teve sucesso e representou a passagem da fase artesanal para a industrial.
Confiante no empreendimento e com a ajuda financeira do pai o jovem empresário comprou 1.000 motores à Morris. Depois de esgotado o stock dos mil motores, Lamborghini começou a montar motorizações de 20 a 50 cv MWM-Benz e inicia a construção e montagem em série de caixas sincronizadas de 4 a 12 velocidades.
Com uma boa gestão empresarial aliada à qualidade reconhecida dos seus tractores nos principais mercados, os avultados lucros levaram o construtor italiano a diversificar os investimentos. Para tal construiu uma segunda fábrica dedicada à produção de ar condicionado e de equipamentos para aquecimento central.
Por esta altura Ferruccio Lamborghini, tinha sido condecorado Cavaliere del Lavoro pelo Presidente da República de Itália, começa a aproximar-se, em fortuna pessoal, aos homens mais ricos do país.
Em 1954 o fabricante italiano alarga a sua gama de ofertas com os primeiros tractores de lagartas da marca, passando mais tarde (1958) a ser montados com motorizações próprias Lamborghini.

Em 1962 passou a oferecer tractores de tracção às quatro rodas, o que, acompanhando em evolução os seus concorrentes mais próximos, também contribuiu para aumentar a sua ampla quota de exportação, ao mesmo tempo que lhe permitiu situar-se no mercado doméstico na quarta posição de vendas, depois da Fiat, da Same e da OM.

Desde sempre apaixonado por automóveis, tendo começado a sua vida por alterar viaturas com algumas aplicações e chegado a construir, a partir de um Fiat Topolino, um carro veloz com o qual participou na prova "Mille Miglia" (1948).
Logo que começou a ter dinheiro de sobra passou a deslocar-se em desportivos de luxo, reunindo na sua garagem Mercedes, Jaguar, Ferrari, entre outros...
Por mais bizarro que possa parecer, Ferrucio Lamborghini decidiu iniciar a produção de automóveis devido a um problema mecânico que o seu Ferrari teve, relacionado com um mau funcionamento da sua embraiagem, uma avaria crónica que expôs pessoalmente ao engenheiro Enzo Ferrari na sua fábrica de Maranello. Para grande surpresa e contestação de Ferrucio não foi aceite, tendo tido como resposta: "Você não percebe nada de carros, apenas de tractores…".


Depois da avaria técnica do Ferrari ter sido solucionada por Ferruccio através da adaptação de uma embraiagem Borg & Beck que montava nos seus tractores e o problema ter ficado definitivamente resolvido, o construtor italiano de tractores resolveu transformar mais um dos seus sonhos em realidade.
Ferruccio Lamborghini, que já havia mostrado interesse em fabricar um desportivo veloz com o seu nome, após este episódio decidiu diversificar e ampliar o negócio do seu Grupo empresarial, e pondo mãos à obra construiu uma fábrica moderna e totalmente apetrechada, em Sant’Agata,. Curiosamente situada a poucos quilómetros da fábrica da Ferrari de Modena, precisamente com a finalidade de criar um Lamborghini capaz de bater um Ferrari...
Desta forma surge em 1963, no salão de Turim, o Lamborghini 350 GTV (Gran Turismo Veloce), um carro desportivo de luxo, capaz de atingir os 240 km/h.
Entretanto, em plena crise generalizada no mercado mundial de tractores, o fabricante italiano recebe um rude golpe quando 5.000 dos seus tractores, prontos para embarcar para a Bolívia, ficaram retidos na alfândega e depois retornados à fábrica, por impedimento motivado pela súbita morte do Presidente da República da Bolívia. A revolução local que em seguida teve lugar, deu origem à anulação da encomenda firmada, o que representou um prejuízo incalculável, que foi posteriormente minimizado pela ajuda preciosa que recebeu do seu amigo Gianni Agnelli.
Em 1970, desmotivado com o sucedido, numa altura em que em Itália as greves de trabalho e as conflitualidades sindicais eram uma constante, Ferruccio Lamborghini resolve vender a empresa de tractores à Same e 51% das acções do sector automóvel ao suíço Georges-Henri Rossetti.
Mais tarde decidiu descansar e viver dos muitos e avultados rendimentos de que já usufruía, vendendo os restantes 49% do grupo automóvel ao suíço Rene Leimer.

Nesta altura já tinha lançado para o mercado o Lamborghini 350 GT, 400 GT, Miura, Espada, Islero e Jarama.
Ferruccio nomeia Tonino, seu filho único do primeiro casamento, como gestor das suas restantes empresas, o qual dedicou multiplicar a herança recebida iniciando a comercialização de roupas com design Lamborghini, através de uma cadeia de lojas de luxo no Japão.
Decide regressar às suas origens ligadas à terra, comprando uma propriedade - La Fiorita - junto ao lago Trasimone, onde construiu uma vivenda e viveu com a segunda esposa, Maria Theresa, com a qual teve uma filha.
Nesta mesma propriedade criou uma vinha a perder de vista, a conselho e orientação dos melhores peritos em vitivinicultura. O vinho produzido foi lançado no mercado mundial através da Feira de Verona, com garrafas expostas em cima de automóveis Lamborghini, acompanhado por manequins italianas, a darem a provar aos visitantes um vinho cunhado como sendo "o generoso sangue dos Miura".
Nos anos 80 a empresa de automóveis esteve à porta da falência, sendo a Chrysler a tábua de salvação criando o sucessor do Countach; o bem sucedido Diablo.
Ferruccio Lamborghini morreu em Fevereiro de 1993 aos 76 anos, escapando aos episódios que ainda esperavam a marca.
Em 1994 a Chrysler atravessava tempos difíceis e teve de vender a empresa novamente, sendo comprada por um grupo liderado pelo investidor indonésio Tommy Suharto. No final dos anos 90, a crise volta a fazer-se sentir novamente e surge a Audi como principal interessada na Lamborghini.
A 4 de Agosto de 1998, numa complexa série de operações, a Audi AG passou a ser o único proprietário da Automobili Lamborghini.
Actualmente mantém-se como proprietária e é a responsável pela excelente saúde da marca e criação dos últimos modelos.



6 comentários:

  • minhOfles says:
    24 de abril de 2009 às 16:46

    E em boa verdade, estou bem agradecido ao Senhor Enzo, por ter sido um idiota :D

    Lamborghini ftw.

  • OdairW says:
    24 de abril de 2009 às 18:26

    concordo plenamente ao minhOfles
    lamborghini é muito mais!!!

  • Desalinhado says:
    24 de abril de 2009 às 21:40

    Agora adaptando um dizer dos states... "the italian dream"

  • Desalinhado says:
    24 de abril de 2009 às 21:48

    Já agora minhOfles... WOW?

  • Richard says:
    26 de abril de 2009 às 03:21

    Bom artigo :) estava em divida para os leitores e agora fiquei em divida para ti Peter ;) Excelente!

  • Turbo-lento says:
    30 de abril de 2009 às 15:48

    E S P E C T A C U L A R ! Nem mais!

"