Prestar tributo a uma máquina pode parecer algo fútil. Mas o homem sempre lutou para ir mais longe, mais rápido e no desenvolvimento destas máquinas centenas de pessoas deram o seu melhor para chegar primeiro. Homenagear as suas obras - os carros - é a melhor forma de homenagear todas as pessoas que neles trabalharam. Só em 84 é que surgiu um concorrente de peso. O ralie da Corsega de 1984 foi marcado pela apresentação do Peugeot 205 T16. Este tornou o Audi e todos os outros concorrente obsoletos. Era um carro pequeno, muito leve com o motor na posição central (ao contrario da posição dianteira no Audi). Ferrari 288 GTO Elemento comum? Como formula 1, eram os mais rápidos, os mais potentes, os mais resistentes, mais leves, com a melhor aceleração e capacidade de curva, de travagem, e bastava olhar para eles. Tecnologia, potencia, velocidade e perícia tudo no maior espectáculo do mundo. A recompensa maior era para os espectadores: serem capazes de ver os melhores pilotos do mundo dar o seu melhor nas máquinas mais diabólicas alguma vez imaginadas. O inicio do fim Viria a morrer tragicamente num acidente no Rallie da Corsega. Foi o inicio do fim para o grupo B. O carro saiu numa zona sem protecções e caiu numa ravina. Seguiu-se um incêndio que matou ambos piloto e co-piloto. Até aquele momento, ele estava a ganhar todas as etapas com uma grande margem sobre todos os outros... E o acidente do piloto Marc Surer em directo na televisão (co-piloto faleceu) levou a FIA a proibir os Grupo B em 1987. Luta de gerações Mas naquela altura, para poderem participar nos rallies, os construtores eram obrigados a construir versões de estrada dos carros de rallies e vende-los ao público! E eram iguais aos carros que corriam nas provas. No caso do Lancia Delta S4 Stradale, era só uma questão de retirar o restritor do turbo e já estava. Querem ver a comparação entre um grupo B e um carro muito rápido? Vejam a aceleração de um Ford RS200 e um Lamborghini Gallardo. O Fim?
Introdução
O Grupo B foi criado pela FIA em 1982 para substituir 2 classes de carros, tendo também sido introduzido o grupo A.
O Grupo A é derivado de carros de grande produção de 4 lugares, sendo limitados em termos de peso e potencia. O objectivo era conseguir um grande número de equipas privadas.
Por outro lado, o Grupo B tinha poucas limitações. Peso ao mínimo, materiais avançados e sem limitações de potência. O objectivo era atrair os grandes fabricantes de automóveis para mostrarem os seus talentos de engenharia sem grandes limites, prometendo-lhes vitorias, e por consequência, grande publicidade. Maioria dos carros dispunham de 500 ou mais cavalos e tinham que ser produzidos, pelo menos, 200 homologados para a estrada. Para as "evoluções", só tinham de ser produzidas 20 unidades de estrada.
Ambiente
O desenvolvimento tecnológico no mundo dos rallies era (e ainda é) feroz. Tecnologia de ponta hoje, esta desactualizada amanhã. Por isso, os construtores despejavam dinheiro, tempo e recursos humanos na incessante procura da melhor, mais rápida tecnologia.
O primeiro a chegar, e a dominar, foi o Audi Quattro Sport S1. Baseado num carro de série, viria a mudar o mundo dos raliies ao introduzir com sucesso a tracção as 4 rodas. Era uma máquina brutal com mais de 500 cavalos.

Sob a direcção de Jean Todt (actual director desportivo da Ferrari), o Peugeot 205 T16 conseguiu o titulo de construtores de 1985 e 1986.
Rapidamente a Audi respondeu com o Quattro S2 (houve uma evolução com 1000 cavalos que (nunca correu porque os pilotos disseram que era incontrolável).
A Lancia apresentou o Delta S4 para substituir o 037. Estão a ver o Golf GT com turbo e compressor? Este já o tinha em 1985!
E a Austin Rover o Metro 6R4. Como melhorar um Metro? Enfiar um V6 no banco de trás!
Outros construtores quiseram aproveitar o furor o público como um meio para vender os seus carros e muitos começaram a desenvolver os seus Grupo B...alguns com pouco sucesso.
Este Ferrari nunca fez muito sentido... até se perceber que a Ferrari queria inscreve-lo para o Grupo B. Infelizmente, o grupo B terminou antes de poder correr. 

E não eram maquinas fáceis de conduzir. Segundo o grande Walter Rohl, os pilotos tinham de se adaptar ao carro e não ao contrário (como é actualmente). Mas oiçam directamente dele...
Os grupos B eram os mais desafiantes para condutores e técnicos. Os condutores tinham que manter aquelas máquinas infernais sobre controlo e os técnicos a procura daquele cavalo de potencia adicional que pode ditar a vitoria.
Vejam por vós mesmos...especialmente o famoso conduzir com 3 pedais que foi inventado com o grupo B.
O nome Harry Toivonen é conhecido dos fãs dos ralies. Piloto rápido que ganhou o seu primeiro ralie no Monte Carlo de 86 ao volante do Delta S4, sempre se mostrou mais rápido que os restantes e abriu bons presságios para um bom campeonato. Mas o destino seria diferente.
Actualmente, é muito comum os construtores usam os feitos desportivos para promover os seus carros. O problema é que os carros que correm actualmente nos campeonatos de turismo ou rali não têm nada a haver com os que podemos comprar. São protótipos com um aspecto e nome familiar.

Nem por sombras - mudanças a nível de regulamentos permite a inscrição destes carros em ralies de clássicos. O killer B's estão de volta!
O elenco
A Lancia introduziu o 037 para substituir o velho Stratos. O 037 era apenas de tracção traseira, mas a aposta da Lancia era criar um carro rápido e simples de manter.
Mas isto era apenas o começo.
A Ford com o RS200
Porsche 959
Citroen BX 4TC
Tão lento e cheio de problemas que a Citroen comprou todos os carros de volta e destrui-os!
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5 comentários:
Meu deua até tremo a vêr estas coisas..., belos tempos, isto é que éram carros de rally, só quem nunca viu isto ao vivo, tenho saudades deste tempo, e de vêr e seguir o rally por Sintra e por outras paragens, para os mais novos, saberem que os verdadeiros carros de rally foram estes, os do Grupo B, os dos dias de hoje é para meninos. Só conduziam estes carros pilotos de barba rija! :P
E não tinhas as "paneleirices" que hoje os carros tem a nivel de segurança activa, aqui éra pura e dura, só quem tinha kit de unhas é que mexia nisto ;) muita terra e pedras comi eu a conta deles...
Isto sim é um tributo.
Antes de mais parabéns ao turbo-lento pelo post.
Eu felizmente apesar de ainda muito novo cheguei a ver estes carros ao vivo. Não tinha ainda a noção do quão rápido eram mas lembro-me perfeitamente de os meus favoritos serem, e sem ligar aos pilotos, a Audi e a Ford.
O que verdade é que com ou sem a influencia do meu pai essa paixão por estes carros mas também pelos ralis, nasceu sem duvida pelo som dos próprios, pela velocidade mas principalmente pelo cheiro. Aquele cheiro " a broa" nunca mais me saiu da memória.
No entanto os tempos mudaram, em parte para pior, mas felizmente mais para melhor na minha opinião.
Uma coisa é certa, o facto de as marcas para poderem participar terem que produzir os mesmo carros para venda ao público fazia (pelo menos a mim fez) as pessoas AMAREM aquelas máquinas.
Duma coisa eu tenho a certeza, se ganha-se o euromilhões ia atrás de pelo menos o Lancia 037, a Ford rs200 e o Audi4.
E punha a minha cama no meio deles...
É excêntrico ou não?? ;)
boa leitura! muito bom turbo-lento, obrigado por me fazeres recordar estes monstros sagrados! O grupo B devia de voltar utilizando a tecnologia actual, seria algo que desafia a própria mente!
Hoje em dia isto tá muito seguro, não tem metade da piada nem dos cavalos!
Lembro-me de ler sobre a equipa da Audi remover pontas de dedos humanos do radiador de um dos seus carros durante o rally de Portugal! Hardcore hein! lol
Muito bom, 5*.
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