Fim da era de Sergio Marchionne

Como já devem saber Sergio Marchionne deixou no sábado passado o comando da FCA por complicações a uma cirurgia a um ombro - deixar o comando de qualquer multinacional é complicado, ainda mais assim de repente por motivos de saúde. Especialmente quando falamos de alguém que em 14 anos atrás do leme da Fiat salvou 2 grandes marcas mundiais (Fiat e Chrysler).

Estado de saúde
Atualmente não se sabe muito sobre o estado de saúde de Marchionne, oficialmente apenas que está internado num hospital Suiço devido a complicações de uma operação que fez a um ombro em Junho. Segundo o jornal italiano La Stampa o estado será irreversivel, o "Il Messaggero" diz que o estado de saúde piorou e Sergio está rodeado pelos filhos e companheira () e o La Repubblica acrescenta que Marchionne está em coma desde sexta-feira à tarde e respira com ajuda de um ventilador. Terá havido uma tentativa de o tirar do ventilador reduzindo os sedativos mas não terá corrido bem. Teremos que esperar para ver.


Longo caminho percorrido
Sergio Marchionne conseguiu o que muitos, eu incluído, achavam impossível: fundir a Fiat numa altura que estava em sérios problemas financeiros com a falida Chrysler há coisa de 10 anos - mas chegamos a 2018 e ele conseguiu criar o 7º maior construtor automóvel do mundo e sem dívidas.

Marchionne saltou para ribalta quando chegou à liderança da Fiat em 2004 e declarou sem rodeios que ele "gostava de arranjar coisas e a Fiat precisa de reparação imediata" - o que era dizer pouco porque a Fiat estava na altura basicamente falida. E desde então nunca mais parou - segundo algumas historias de ex-colegas, ele pouco dormia e maior parte das vezes fazia-o no seu avião privado enquanto viajava entre Londres, Turim e Detroit.

Mais recentemente Marchionne não tem tido grande sorte: a FCA continua muito dependente do mercado norte-americano (que com Trump se prepara para ter problemas), desdenhou os eléctricos e agora tem que correr atrás dos outros, a recuperação na Europa tem sido lenta e ainda pior na China, a Alfa Romeo parece estar no bom caminho mas ainda não se tornou lucrativa - marca que com a Jeep e Maserati eram a base para o anterior plano de recuperação.


Sucessores
Com Marchionne fora de cena foi preciso rápido encontrar "substitutos" - vários porque além de Chief Executive da FCA, CEO da Ferrari e chairman da CNH Industrial (fabricante de camiões e maquinaria pesada). Eis uma curta apresentação:
- Mike Manley: Este inglês de 54 anos dirigia a Jeep desde 2009 e desde 2015 a Ram passa agora a CEO da FCA.
- Louis Camilleri: o novo CEO da Ferrari é chairman da Philip Morris International e já fazia parte da direção da Ferrari,
- Suzanne Heywood: a nova diretora da CNH Industrial vem da direção da empresa de holdings EXOR atraves da qual a familia Agnelli controla a FCA.


E a Hyundai?
Quem segue o 4Rodas1Volante deve recordar que no inicio do mês ressurgiram rumores que a Hyundai estaria de olho em tomar a FCA esperando apenas que as acções da FCA caíssem abaixo de um certo valor certo para avançar - as acção da FCA já começaram a cair com esta saída da Marchionne. É melhor ficar com um olho na Suiça e outro na Coreia do Sul...

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