Fiat - que futuro?

Há já algum tempo argumentei que mesmo com a compra da Chrysler/Jeep a Fiat continuaria de desaparecer - anos passaram e a Fiat continua em morte lenta perdendo mercado na Europa e Brasil bem como nos EUA. Em Junho Marchionne deverá apresentar o plano de negócios de 2018 para 2022 - será possível recuperar a marca italiana? Tenho sérias dúvidas...
O futuro-próximo para a industria automóvel na Europa parece claro - aposta na electrificação da gama (100% eléctricos e híbridos de diferentes sabores), novos modelos mais eficientes e claro SUVs.

A electrificação na Fiat resume-se ao 500e e esse está apenas disponível nos EUA fabricado apenas para que a FCA possa vender automóveis na Califórnia - segundo reza a historia a Fiat perde dinheiro em cada 500e que vende. Esta versão não deverá chegar à Europa e apenas a próxima geração do 500 (prevista para 2021) talvez tenha uma versão eléctrica para a Europa.

Sim, o próximo 500/Panda só deve chegar em 2021 e isso traz-me à falta de novidades - para o período 2014 a 2018 estavam previstos 8 novos modelos mas apenas 5 se concretizaram e o Punto vai desaparecer já em Julho deste ano sem substituto (arrastando o Alfa Romeo Mito consigo).

Onde estão os SUVs? Além do seu produto mais vendido ser um citadino com 11 anos num mercado a devorar SUVs (literalmente o único segmento em constante crescimento em todo o mundo) a Fiat tem apenas um: o 500X. Quase todas as restantes marcas constroem um (as vezes mais) SUVs por segmento.

Sem SUVs não há vendas que aguentem e com a renovação da gama 500/Panda só para depois de 2020 com talvez um SUV à mistura - o único caminho é para baixo. A questão é mesmo saber se a Fiat atravessa uma linha de não retorno antes de 2020 - antes uma das marcas mais vendidas na Europa até no mercado interno está em queda onde caiu 15% nos primeiros 4 meses de 2018. O Brasil é um dos principais mercados da Fiat, e se em 2013 detia 22% do mercado atualmente é de apenas 8%.

Claro que quando se fala do novo plano vale a pena perguntar se o plano anterior previsto até 2018 funcionou - claro que não. A ideia era dividir a gama da Fiat  em 2: um braço "aspiracional" baseado no 500 e derivados, e um outro braço acessível baseado no Panda e derivados. Como sabemos isso não aconteceu e a Fiat teve que ir buscar o Tipo à Turquia e o 500x à Jeep para aproveitar algum do segmento compacto fundamental e pelo menos um SUV na Europa.

Em março em Genebra, Marchionne disse claramente que não ia matar a Fiat mas admitiu que a relevância da Fiat na Europa desapareceu - com o foco apenas nas outras marcas como a Jeep, Alfa Romeo ou mesmo Maserati seria algo esperado. Basicamente estão a fazer à Fiat o mesmo que fizeram à Lancia e todos sabemos como isso está a correr. Marchionne ainda disse que a Fiat tem bons prospetos na América Latina, mas na Europa terá um papel menos relevante provavelmente centrado no 500.

Pelas palavras de Marchionne dá para prever 2 caminhos: ou a Fiat vira uma marca low-cost global tipo Dacia aproveitando o seu conhecimento e produção em locais como Polónia, Sérvia ou Turquia, ou pega no 500 e estica esse conceito de "automóvel icónico ou fashion" (este ultimo conceito choca um pouco com o que resta da Lancia).

Esperemos para ver o que Sergio trás...quase de certeza más noticias.

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