O salão de Frankfurt 2017 segundo Turbo-lento

Se tivesse que resumir o salão de Frankfurt deste ano seria: "manter a calma e cobrir todas as possibilidades". De um novo M5 a um novo i, do Project One tirado da F1 a um compacto eléctrico, um Audi sem volante com o novo RS4, novo Megane RS a um que quer ser a extensão da sua casa...o mundo está a mudar rapidamente mas os consumidores nem por isso, portanto fazemos de tudo um pouco alegrando gregos e troianos. Ficam as minhas impressões do que mais importante se passou no salão alemão deste ano.


Mercedes-AMG Project One
Não é possível falar do salão de Frankfurt sem referir a "tour de force" do aniversário dos 50 anos da AMG que fará a alegria de 100 clientes muito especiais - o Project One. O design é tipicamente alemão - função acima da beleza, mas sim, basicamente a versão alemão do que a Ferrari se propôs fazer com o F50 - um novo Formula 1 para a estrada versão 2017. Uma versão suavizada do V6 turbo de 1,6 litros capaz de rodar a umas estonteantes 11.000 rpm acoplado a um sistema eléctrico capaz no conjunto de mais de 1.000 cavalos....uau!



Muitas não apareceram
Infelizmente muitas foram as ausências do salão deste ano - Nissan, Peugeot, DS, Fiat, Jeep, Alfa Romeo, Mitsubishi, Infiniti, Volvo e Aston Martin não apareceram. Há cada vez mais construtores a preferirem outros tipos de eventos ou outras formas de marketing. Isso e os organizadores dos salões tem que ser mais inventivos para atrair publico que irá justificar a presença dos construtores - no salão de Paris cheguei a deixar a ideia aos organizadores de criarem, depois do salão encerrar à noite, uma visita de alguns aficionados que queiram a possibilidade de fotografar os automóveis sem a habitual multidão.


Honda surprende
A Honda sem duvida surpreendeu-me. Não só trouxe um concept muito apreciado de um citadino eléctrico previsto na Europa em 2019 mas também um novo sistema híbrido num "prototipo" baseado no novo Honda CR-V já à venda nos EUA.
Este novo sistema híbrido da Honda designado i-MMD (Intelligent Multi Mode Drive) esta acoplado a um motor de 2 litros de ciclo Atkinson mas o motor não faz rodas as rodas - na maioria das situações o motor funciona como gerador eléctrico alimentando os motores eléctricos. Apenas em situações que exijam mais força é que o motor a combustão acciona as rodas.
A Honda não tem tido muito sucesso com os sistemas híbridos, mas assegura que este novo sistema é mais compacto, mais leve, com menos perdas e muito mais eficiente. Infelizmente teremos que esperar um pouco mais para descobrir.


China continua a tentar
E cada vez mais parecem mais perto de conseguir pôr o pé na Europa. A Great Wall apresentou um SUV premium da sua marca Wey, mas que tinha uma placa a sinalizar que não estava ainda para venda. Ou seja, é mais uma demonstração de que continua interessada no mercado europeu mas que ainda está a uns anos de distancia.
Mas que não haja duvidas, eles vêem aí e vão conseguir cumprir todos os requisitos de emissões e segurança - a Chery tem a Volvo a ensinar-lhes como construir automóveis como deve ser e a Great Wall andou a apalpar a Fiat recentemente. A questão é se os construtores generalistas (os que vão ser mais espremidos) europeus se preparam para lidar com essa entrada.


Kia surpreende
Confesso que cada vez mais gosto dos Kia - se inicialmente eram completamente insípidos por dentro e por fora, a marca evolui imenso nos últimos anos na Europa ao ponto de ter sido a única marca com crescimento constante desde a crise financeira. Depois do recente Stinger, trouxe ao salão de Frankfurt um concept de uma shooting brake chamada Proceed. Com um novo Ceed a planeado para o ano este concept pode anunciar o que podemos esperar, ou uma variante mais premium do Ceed como a Hyundai fez com o i30 Fastback - a isso só tenho a dizer: YES PLEASE!


BMW avança no eléctrico
A BMW também bem o que eu disse de cobrir todas as bases - trouxe um concept de um Mini eléctrico para equilibrar o outro concept Mini John Cooper Works GP, trouxe o concept BMW i Vision Dynamics eléctrico para equilibrar os 600 cavalos do novo M5. Mas a electrificação da gama é sem duvida o objectivo a curto prazo.
A BMW anunciou há algum tempo um SUV para a gama i em 2021 que estreará o seu sistema de condução autónoma de nível 4 (um degrau abaixo de um carro capaz de se conduzir sozinho em todas as condições) mas o concept i Vision Dynamics anuncia um novo formato mas também a tecnologia que podemos esperar - uma autonomia de 600 quilómetros!


Dieselgate e o fim do diesel
Este foi o primeiro salão de Frankfurt desde que o dieselgate explodiu e como seria de esperar o grupo Volkswagen foi apertado sobre o futuro dos motores diesel. A resposta foi basicamente a já conhecida - a popularidade do motor diesel deve-se a sua eficiência (para atingir objetivos de redução de emissões de CO2) e o sistemas de impostos de muitos países europeus. Mas com as pressões publicas sobre o mundo politico e a mudança a nível dos padrões de emissões dai que o grupo aposta na electrificação.
Além dos híbridos (por exemplo todas as versões do novo A8 são híbridas) a plataforma modular MEB está basicamente pronta para industrialização - a VW já apresentou os ID, ID Buzz, e agora o ID Cross, e em breve devemos começar a ter as outras marcas do grupo com propostas baseadas nesta plataforma. Matthias Mueller confirmou que apartir de 2030 todos os modelos Volkswagen serão eléctricos ou plug-in.

Mas também houveram muitas bocas dos construtores dirigidas aos governos - os governos querem descontinuar os diesel sem mexer nos limites de emissões de CO2 que os diesel ajudam a cumprir apostando nos eléctricos, mas os governos não investem na infraestrutura necessária para alimentar esses eléctricos e na produção de energia de fontes renováveis. O nosso Carlos Tavares foi talvez o mais vocal nestas criticas.

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