DieselGate - ponto de situação 10-07-2017

Há já algum tempo que não fazia um apanhado das notícias ligadas ao dieselgate - ficam abaixo os principais desenvolvimentos como sempre sem tretas, conservantes ou adoçantes acrescentados.

2 anos de garantia para diesels reparados
O grupo alemão aceitou extender por 2 anos ou 250.000km a garantia de componentes ligados aos sistemas de falsificação de emissões nos veículos diesel reparados. Claro que a União Europeia e grupos de consumidores continuam a dizer que só o estender da garantia não chega e que os condutores devem ser compensados monetariamente.


Ministro dos transportes alemão ordena investigação à Porsche
O ministro dos transportes alemão ordenou a abertura de uma investigação à Porsche para determinar se esta usou software para falsificar as emissões de óxidos de azoto no Cayenne equipado com o V6 diesel - motor de origem Audi que também tem os A8, A7, Q7 e Q5 sob investigação. Esta investigação foi despoletada por uma reportagem da Der Spiegel que testou com a TUV Nord o Cayenne diesel e foram detetadas grandes diferenças nas emissões.


Estudo alega que software da Bosch permitiu dieselgate
Há estudos e há estudos...este é daqueles feito para alimentar advogados. Segundo um estudo chamado "How They Did It: An Analysis of Emission Defeat Devices in Modern Automobiles" (Como eles conseguiram: uma análise aos dispositivos de falsificação de emissões em automoveis modernos) da University of California em San Diego e Ruhr-Universitat Bochum na Alemanha recentemente apresentado terá sido software da Bosch, o fabricante de sistemas de injeção diesel, que terá permitido à VW e Fiat Chrysler fintar os testes de emissões. Eles afirmam que encontraram fortes provas que ambos os dispositivos de falsificação de emissões foram criados pela Bosch e ativados pela VW e Fiat.

Agora permitam-me explicar porque é que digo que este estudo é duvidoso.
1) Se a Bosch fosse criadora do software de falsificação de emissões não acham que a VW e Fiat não teriam logo dito isso para se safarem?
2) A Bosch é o maior fornecedor mundial destes sistemas, não tem nada a ganhar e tudo a perder com estas manobras
3) A Bosch fabrica os injetores e fornece-o com o software base para os operar, os construtores não querem ter que pagar a Bosch para os configurar portanto fazem isso internamente apartir do software base de operação. Claro que a VW e Fiat usaram código da Bosch, é o que faz os injetores funcionar! O contrario seria de estranhar - comprar um componente, desmontá-lo, descobrir como funciona e aprender a programá-lo antes de conseguir configurá-lo para cada motor.
4) No fim do estudo, para evitar serem processados por difamação provavelmente, os autores dizem que chegaram as suas conclusões por analise de documentos com indicação de copyright da Bosch mas tirados de sites de oficinas e de fãs do tuning de automóveis da VW. Documentos que não foram fornecidos ou verificados como autênticos pela Bosch. Os autores também concedem que são os construtores que decidem como usar o software de controlo de emissões nos seus veículos.

A Bosch fornece o software que permite controlar da melhor forma possível os seus sistemas de injeção e ensina os construtores a usa-lo. O que os construtores fazem com ele é responsabilidade dos construtores.


Diesels da Fiat Chrysler 20x acima dos limites
Os mesmos cientistas da West Virginia University que apanharam a VW testaram os diesel da Fiat Chrysler e afirmam que estes conseguem ultrapassar os limites de poluição por um fator de 20. Tendo em conta que a Fiat já tem o departamento de justiça americano à pega com acusações de possíveis dispositivos de falsificação de emissões a coisa não está bonita para o diesel nos EUA.
Segundo o departamento de combustíveis alternativos, motores e emissões da West Virginia University em testes de estrada os Jeep Grand Cherokee e Ram 1500 diesel de 2014 e 2015 emitiram óxidos de azoto 3 a 20 vezes acima do valor legal. Já os testes em dinamómetro que simulam os ciclos de teste de estrada tiveram valores muito mais baixos - ou seja, "algo" poderá estar a controlar os sistemas de controlo de emissões dependendo das condições.

O laboratório diz que as Ram de 2015 emitem até 25 vezes mais de óxidos de azoto enquanto os Jeep do mesmo ano produzem até 8 vezes mais. Os modelos de 2014 produziam bastante mais.

Claro que há aqui um busílis - legalmente só valem os testes em laboratórios, mesmo que os testes em estrada tenham tido maiores emissões legalmente não têm valor. Excepto claro para provar que a Fiat usou, tal como a VW, dispositivos ilegais. Algo que a Fiat ainda não explicou completamente, estando assim impedida de vender modelos diesel. O teste em estrada foi também feito com mais peso e testes de estrada mais exigentes que o estipulado pelo protocolo legal.
Recordo que a General Motors também está a ser processada por falsificar as emissões em pick-ups Duramax diesel entre 2011 e 2016.


Holandeses e ingleses processam VW
No que poderá ser o primeiro processo pan europeu contra a VW - 220.000 consumidores ingleses e holandeses juntaram forças para processarem o grupo alemão. Segundo este processo a reparação feita pela marca não resolve o problema e exigem que os consumidores sejam compensados.


Interpol procura 5 ex-gestores da VW
Segundo o jornal Sueddeutsche Zeitung os Estados Unidos emitiram mandados de captura internacionais para 5 ex-gestores e tecnicos da VW devido à sua participação no dieselgate. Segundo a constituição alemã os cidadãos alemães só podem ser extraditados para outro pais europeu ou para um tribunal internacional, ou seja, desde que estes 5 não saiam da Alemanha o mais certo é não lhes acontecer nada.
O mesmo não se pode dizer do anterior gestor da VW Oliver Schmidt que foi preso em Fevereiro quando se preparava para voar de Miami para a Alemanha. Estão ainda detido.


Usados VW mantêm valor
Segundo a Moodys, apesar escândalo da falsificação das emissões que manchou o nome da marca o valor comercial dos automóveis usados da Volkswagen não caiu e continuam a pedir um valro elevado no mercado de usados. Para já - com a crescente pressão sobre os motores diesel e cada vez mais cidades a planearem não permitir o acesso a estes motores é inevitável que o seu valor comercial caia.

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