Argoladas automóveis de 2015

Com tantas listas sobre o que aconteceu em 2015, porque não recordar as argoladas da industria automóvel no ano transato? Afinal todos adoram apontar o dedo quando fazemos asneira então porque não lhes fazer o mesmo? 

DieselGate Volkswagen explode
É difícil encontrar palavras para explicar a dimensão da confusão em que a Volkswagen se meteu - além de custos previstos a atingirem rapidamente a barreira dos 8 biliões de euros, toda a estratégia de um dos maiores grupos automóveis do mundo passou completamente à história, décadas de esforço a criar uma imagem perdidas, processos legais por todo o mundo e enquanto a concorrência investe em novos desenvolvimentos a Volkswagen corta em tudo para compensar perdas e tentar descobrir como isto foi possível. E ainda falta descobrir o que vem aí em 2016.


Ferdinand Piech, sobrinho de Ferdinand Porsche, dominou com um punho de ferro a Volkswagen durante mais de 20 anos chegango ao mais alto lugar do grupo. Conseguia o que queria e quem não seguisse à letra as suas vontades rapidamente era despedido - muitos dizem que foi esta forma de trabalhar que "criou" o dieselgate. Mas antes disso Piech, insatisfeito com os progressos nos EUA, resolveu fazer das suas e tentar demitir o CEO do grupo Martin Winterkorn. Só que com a VW a acumular lucros e a ultrapassar a Toyota pelo lugar do topo do pódio mundial o conselho de administração ficou do lado de Winterkorn. Piech e a sua esposa não tiveram escolha se não demitirem-se da direção dias antes do dieselgate ter rebentado.
Há quem diga que no final Piech conseguiu o que queria - demitir Winterkorn e substitui-lo por Matthias Mueller, mas duvido que Piech esteja satisfeito com com o "preço" que pagou": a família Piech-Porsche perdeu milhões de valor das acções que detém do grupo VW e o próprio Piech poderá a ficar na história como aquele que por um lado construiu a VW mas também quem deitou tudo a perder para poder ter tudo como queria.


Apesar de todos terem falado do dieselgate houve outro escândalo de decorre há mais tempo e que matou mesmo pessoas - mas curiosamente quase ninguém em Portugal falou dele: os airbags da Takata. A Takata é um fornecedor de componentes para a industria automóvel que está em grandes sarilhos por fabricar airbags que explodem violentamente e projetam fragmentos de metal no habitáculo causando várias mortes. O cenário fica ainda mais negro quando surgiram provas que a Takata falsificou resultados de testes de homologação e segurança para vender os seus produtos e mentiu/ocultou factos das autoridades.


Ford não aprende com a historia - Ford F-150
Não falei sobre este incidente porque não é um modelo comercializado na Europa, mas vale a pena falar dele já que a Ford é uma empresa global e porque parece que não aprendeu com os seus próprios erros. Antes de mais, o erro original - nos anos 70 a Ford desenvolveu o que seria o primeiro compacto da Ford para o mercado americano: o Ford Pinto. O problema é que em 1977 foi provado que devido ao design estrutural e péssima colocação do tanque de combustível era possível que num impacto de trás o tubo de abastecimento de combustível e o próprio tanque podia partir-se e incendiar-se - foram atribuídas 27 mortes por incêndio ao Pinto. Quando comentou este assunto o CEO da altura Lee Iacocca disse "Safety doesn't sell" (Segurança não vende). Para ajudar a ilustrar ainda mais o "lado económico da vida humana" segunda a Ford do senhor Iacocca, na altura do julgamento uma revista publicou um memorando interno (que veio a ser chamado de "Ford Pinto Memo") - em que a Ford fez uma análise de custo-benefício entre reparar os Ford Pinto e pagar processos em tribunal dos acidentes. Pelos vistos na altura arranjar os carros custava 137 milhões e enquanto que pagar indemnizações de mortes, estropiados e queimados era de 49,5 milhões.

Passamos a 2015 e a nova Ford F-150 SuperCrew passou com todas as honras nos testes de segurança americanos - mas apenas porque neste modelo a Ford soldou reforços estruturais adicionais, que não colocou nos outros 2 formatos da F150. A Ford fez isto porque o organismo de segurança por norma só testa o modelo de pick-up que leva mais passageiros - só que desta vez testaram os restantes modelos sem os tais reforços e os resultados foram muito maus. Depois de todo o "barulho" em torno de terem a 1ª pick-up com carroçaria em alumínio a Ford foi fazer exactamente o mesmo que fez com o Pinto - fez as contas da segurança dos ocupantes versus as margens de lucro e o lucro venceu. Quando estes resultados foram tornados públicos a Ford disse que irá corrigir a situação para os modelos de 2016.


Ano do Hacker com 4 Rodas e 1 volante
Todos estamos habituados às constantes atualizações de software nos nossos computadores ou smartphones, mas 2015 foi também o ano em que se tornou palpável a necessidade de proteger e actualizar os sistemas informáticos dos nossos automóveis. Primeiro foi descoberto se possível aceder aos sistemas multimédia dos automóveis da Fiat-Chrysler e assim ao sistema nervoso central dos automóveis via a internet, depois a GM com uma vulnerabilidade no Onstar e a Tesla também. Até acessórios automóveis "ligados à internet" provaram ser inseguros e permitirem o acesso a sistemas vitais do automóvel. O maior problema é que os construtores automóveis são novos a toda esta coisa do software - não são como a Microsoft, Apple ou Adobe rápidos a descobrir e disponibilizar correções aos seus produtos. Algo que tem que desenvolver e rápido.


Sergio Marchionne fica...estranho
Marchionne esta, como todos nós, a ficar mais velho mas parece que segue o caminho daqueles que passam o tempo a fazer propostas indecentes às moças com quem se cruzam na rua. 2015 foi o ano em que Sergio enviou um carta à CEO da GM Mary Barra a propor a fusão da FCA com a General Motors, da qual não teve resposta. Não satisfeito com o silencio explicou em conferencia de imprensa as vantagens e necessidade mesmo da fusão como resposta certa para os problemas da industria automóvel - a resposta da GM continuou a ser silencio. Mas mesmo assim não desiste e escreve aos investidores da GM para pressionar a fusão e chega mesmo a dizer que se a fusão irá ocorrer a bem ou a mal. Sergio acabou por desistir ao ver que não conseguia o que queria, mas veio acima de tudo mostrar algum desespero a publico - 2016 promete ser um anos critico para a FCA.

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